Corpo que reza

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  • Publicado : 21 de setembro de 2012
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introdução
Ao corpo humano é dada a denominação de entidade espiritual, sem, contudo, deformar sua anatomia por completo. De certa maneira, até se justifica certo preconceito contra a lógica da razão formal e o sentido de corpo como entidade orgânica. No cristianismo, o corpo só afirma sua autenticidade espiritual pela morte e ressurreição de Jesus. em nome da ordem religiosa, informando que asalvação do homem é a ausência do corpo, revelando uma teologia plena renovada. O conceito de corpo torna-se alterado pelo julgamento do cristão que reage à morte como perda; ressurge como uma única opção para enfrentar o vazio religioso deixado pelos pagãos, estes que gradativamente abandonam o mítico, embasados pelo logos, Introdução
A revelação cristã pode ser aqui invocada como reorientaçãopara o pensamento sobre o corpo, do tema corpo, como anúncio de uma espiritualidade tardia. Com ou sem razão diante da cultura, todo o pensamento cristão, de Roma a Atenas, nos séculos III, IV e V da nossa era, traz ainda os resquícios de um pensamento pagão, segundo o qual estaria vulnerável para aceitar o cristianismo como forma de rever os conceitos sobre saber, crença e fé. Pensar sobre o corpo,segundo alguns aspectos da filosofia grega, esgotado no termo de uma longa história, abre-se para o ser espiritual, aceitando e deixando-se influenciar por uma concepção de relação do homem com Deus.
inauguram o novo corpo consagrado.

Todos os cristãos que retomam a doutrina não percebem que, se o corpo sensível não existe, o sofrimento de Cristo foi em vão, e a encarnação de Cristo, umgrande equívoco.

A verdade religiosa torna-se a um modelo de criação que permite interpretar o ser no mundo, pondo o problema filosófico do ser criador e do ser criado, de Deus e do homem. Não se trata de uma nova filosofia ou a adesão do cristianismo a qualquer outra. Porém, é possível interpretar o cristianismo como uma consagração do espírito religioso do homem, na forma de interpretar a si mesmoe ao mundo.
O corpo com enfermidade, como poço de pecados originais, de antemão se fecha diante de um calvário invisível, porém monstruoso, ditado pelo dualismo intelectualista e cristão fervoroso. Uma maneira de pensar que ataca a volição, à vontade, a motivação sexual, infernizando a estrutura emocional e mental do homem. Uma iniciativa do pensamento contra a natureza, na tentativa dedomesticação. O corpo, segundo os pensadores padres cristãos, é o “espinho enterrado na carne”. Para os pensadores cristãos, normalmente, negar o corpo conhecido, a psicologia profunda, não deixa a corporeidade se apresentar como fenômeno, pelo contrário, julga-o como sem importância, como uma carne sem ser (GUSDORF, 1981). Nessa ordem, vem à sobrevivência dos símbolos e dos preconceitos, da nudez e dasexualidade. Tornar-se-ão arquétipos da tradição cristã como o tabu da morte e a entrega do corpo a Deus, a ressurreição fantasiosa dos bons espíritos, o sacrifício do autoflagelo, o pecado do sexo e o santuário da virgindade, a abstinência e a sublimação do prazer.

O corpo em Cristo: a primeira encarnação
Na medida em que sofrem os ataques dos pagãos, os cristãos veem-se obrigados a formularseu acervo intelectual para sustentar suas ideias. Essa formulação intelectual nos primeiros séculos do cristianismo caracteriza-se, por estarem os padres da igreja estimulados a combater vertentes de índoles polêmicas: as heresias e a reação intelectual do paganismo. De seita estranha e absurda, o cristianismo começa a tomar corpo e seus dogmas se estendem na adoração de um Deus morto; adquireinfluência e atinge as classes mais elevadas. Esse Deus anunciado no início do século I inaugura o espiritualismo- mó pensada. Tomam emprestado o pensamento helênico, reconhecidamente inteligente, eclético e, sobretudo, nutrido pela carência espiritual dos homens. Na formulação dos conceitos, a criação, a relação de Deus com o mundo, o mal, a alma, o destino da existência, o sentido da redenção...
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