Convite a filosofia

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Dentro da sistematização da razão no Ocidente, Aristóteles ocupa um lugar proeminente. Conjuntamente ao seu mestre Platão, forneceu as categorias sobre as quais se solidificará um dos principais paradigmas do mundo ocidental. O idealismo platônico e o realismo aristotélico[1] ainda são fontes inspiradoras para muitos que se arvoram nos campos das várias formas de saberes.

Esquecido, admiradoou recusado ao longo desses vinte e três séculos, aproximadamente, ninguém pode negar-lhe os méritos de ter sistematizado pela primeira vez no Ocidente uma metodologia científica, deixando o campo aberto para os que vieram depois.

O que se segue é a exposição de como se estrutura(m) o(s) discurso(s) filosófico(s) em Aristóteles[2] e não do seu sistema. Seguiremos os passos indicados pelo própriofilósofo e seus comentadores atuais e isto de forma breve, pois o tema por si só requereria mais que um simples artigo. No pensamento de Aristóteles, a filosofia é colocada pela primeira vez como uma ciência inserida em um sistema global do saber; em tal sistema, a filosofia, na sua acepção específica de metafísica, está no cume, e assinala para as outras ciências os seus confins e suasconexões[3].

Uma esquematização rigorosa das obras de Aristóteles[4] - o Corpus Aristotelicum – requer um trabalho à parte, mas grosso modo, se distribuem em quatro grupos: escritos de lógica (organon = instrumento): Categorias, Interpretação, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Tópicos e Elencos Sofísticos; escritos de filosofia da natureza (física): Física, O Céu, Nascimento e Morte,Meteorologia, História dos Animais, Geração dos Animais, Partes dos Animais, Movimentos dos animais, Locomoção dos animais, A alma, O sentido, A memória; escritos de filosofia primeira em quatorze volumes, denominados por Andrônico de Rhodes, de Metafísica; obras de ética e política, poética e retórica: Ética a Eudemo, Ética a Nicômaco, A política e A retórica. Existem outras obras atribuídas a Aristóteles,mas são de caráter duvidoso[5].

Aristóteles é visto na história da filosofia como o filósofo que estabeleceu o tipo de racionalidade praticada no Ocidente. Aspectos unívocos, imprecisões e falta de conclusividade na linguagem filosófica anterior ao estagirita não são raras (que nos perdoem Parmênides e Platão!). Mas que tipo de racionalidade é aquela estabelecida por Aristóteles? Sabemos queeste autor foi e é capaz de influenciar a vida de quem nem sequer o estudou. Seu discurso está disseminado de tal forma na linguagem científica hodierna que é impossível eliminá-lo.

A partir da década de 30, muitos pensadores começaram a romper com esquemas tradicionais elaborados pela modernidade que enquadram Aristóteles no grupo dos que não tinham mais nada a dizer. Descobriram que essefilósofo é bem mais problemático e abrangente do que se

pensara e não se sabia tudo o que ele pretendera com seu sistema e método, que vão além de um discurso puramente analítico-sistematizador[6].

Na pesquisa filosófica contemporânea, ocorre “a redescoberta das diversas formas de racionalidade praticadas por Aristóteles... O primeiro foi Chaim Perelman que, da insatisfação com o formalismo lógico(...), foi levado ao entrever na retórica de Aristóteles a lógica do discurso não formalizável, isto é, ético, político e jurídico, que virá a ser o discurso concernente à vida dos homens... Hans Gadamer indicou na phronesis teorizada por Aristóteles... a forma mais elevada de saber prático, o modelo epistemológico da hermenêutica... Na ´nova Epistemologia´, Paul Feyerabend... se serve deAristóteles... além das intenções deste último, em sua incessante polêmica contra Galileu; o grupo de norteamericanos (R. S. Crane, Richard P. Mekeon, Elder Olson, da Universidade de Chicago), sustentam a necessidade de aplicar às investigações métodos críticos diversos; no wittgensteiriano G. H. Von Wright... contrapondo à `explicação´ mecanicista a compreensão teleológica, se reporta também ele à...
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