Conto de enigma

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Av aliação de conto de ARTHUR CONAN DOYLE – CONTO DE ENIGMA – PERSONAGEM SHERLOCK HOLMES
A face amarela
Arthur Conan Doyle
Um dia, no começo da primavera, Sherlock Holmes estava tão bem-disposto que saiu comigo para um passeio no Hyde Park. [...] Eram já quase cinco horas quando regressamos à Baker Street.
— Desculpe, senhor — disse nosso criado, ao abrir a porta —, mas esteve aquium cavalheiro que perguntou pelo senhor.
— Quanto tempo esteve à espera?
— Meia hora. Era um cavalheiro inquieto. Todo o tempo que aqui esteve, andou de um lado para outro e batia os pés no chão. [...] "Esse homem nunca mais vem?" Foram essas suas próprias palavras, senhor. Eu respondi: "Queira esperar um pouco mais". "Então esperarei ao ar livre, porque tenho pressa. Voltarei maistarde." E foi-se embora.
— Bem, você fez o que pôde — disse Holmes quando entramos. [...] Espere! Aquele cachimbo em cima da mesa não é seu!
— Nosso homem deve tê-lo esquecido, meu caro Watson. É um belo cachimbo de roseira, com um cabo comprido, de uma substância a que os tabaquistas chamam âmbar. [...] Mas o homem deve ter sofrido um distúrbio mental para se esquecer de uma coisaque tanto estima.
— Como sabe disso? — perguntei.
— Bem, calculo o custo original do cachimbo em sete xelins e seis pence. Ora, ele já foi consertado duas vezes, como se vê: no cabo de madeira e no âmbar. Cada um desses arranjos, feito com anilhas de prata, deve ter custado mais do que o cachimbo. O homem tem de estimá-lo muito para preferir mandar consertá-lo a comprar outro com omesmo dinheiro.
— Alguma coisa mais? — insisti, vendo Holmes virar o objeto na mão e observá-lo a seu modo peculiar e pensativo.
— [...] O dono deste objeto é um homem musculoso, canhoto e de excelente dentadura. Além disso, é descuidado em seus hábitos e não tem a menor necessidade de fazer economia.
— Você acha que um homem precisa ser rico para fumar um cachimbo de sete xelins?— perguntei.
— Esta mistura de Grosvenor custa oito pence a onça — respondeu Holmes. — Visto que ele poderia comprar um excelente tabaco por metade do preço, deduzo que não tem necessidade de fazer economia.
— E os outros pontos?
— Tem o hábito de acender o cachimbo nos candeeiros e nos bicos de gás. Nota-se que a madeira está toda queimada de um lado, e um fósforo não teriafeito isso. [...] É o lado direito que está queimado, e por isso concluo que é canhoto. Leve você seu cachimbo à chama e repare que, não sendo canhoto, é o lado esquerdo que queima, normalmente. Mas vê-se também que é um indivíduo musculoso, enérgico, por ter conseguido morder o âmbar desta maneira. Mas, se não estou enganado, ouço-o subir a escada, de modo que teremos algo de mais interessante paraestudar do que seu cachimbo.
Um instante depois, a porta abriu-se e entrou na sala um jovem alto, modestamente vestido de cinza-escuro, na mão um chapéu mole e castanho. Eu lhe daria uns trinta anos, embora fosse um pouco mais velho.
— Peco-lhes desculpas — começou com certo embaraço. — Creio que devia ter batido. Sim, devia ter batido, na verdade. Mas estou um pouco transtornado,de modo que me esqueço de tudo. — Passou a mão pela testa com uma expressão de surpresa e jogou-se numa cadeira.
— Noto que o senhor não dorme há uma ou duas noites — disse Holmes, à maneira fácil e engenhosa. — Isso é pior para os nervos do que o trabalho. Pior mesmo que o prazer. Importa-se que lhe pergunte em que posso servi-lo?
— Queria que me desse um conselho. Não sei o quefazer. Toda a minha vida parece transtornada.
— Quer contratar meus serviços como detetive?
— Não. Não é bem isso. Queria sua opinião porque sei que o senhor é um homem criterioso, um homem experiente. Preciso saber o que fazer. E Deus queira que possa ajudar-me.
Falava entrecortadamente, com arranques ásperos e espasmódicos. Parecia que falar era-lhe muito penoso, e que seu...
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