Contextualização da igreja

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  • Publicado : 16 de agosto de 2012
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Neste capítulo tenciono abordar a contextualização sob uma perspectiva teológica, seus objetivos e limitações, sua relevância e perigos. Defenderei a conciliação entre a Teologia e a Missiologia, a relevância da Antropologia Missionária e por fim apresentarei alguns critérios bíblicos para a contextualização.
Quando Hesselgrave afirma que contextualizar é tentar comunicar a mensagem, trabalho,Palavra e desejo de Deus de forma fiel à Sua Revelação e de maneira significante e aplicável nos distintos contextos, sejam culturais ou existenciais, ele expõe um desafio à Igreja de Cristo: comunicar o Evangelho de forma teologicamente fiel e ao mesmo tempo humanamente inteligível e relevante. E este talvez seja o maior desafio de estudo e compreensão quando tratamos da teologia dacontextualização. Historicamente, a ausência de uma teologia bíblica de contextualização tem gerado duas consequências desastrosas no movimento missionário mundial: o sincretismo religioso e o nominalismo evangélico.
Antes, porém, gostaria de expor introdutoriamente sobre a relevância da contextualização na apresentação do Evangelho com base em Mateus 24:14. Ali Jesus se reunia com seus discípulos, pouco antesde ser elevado aos céus, e responde a estes sobre os sinais que antecederão a sua vinda. Após dissertar sobre evidências mais cosmológicas (guerras e rumores de guerras) e eclesiológicas (perseguição e falsos profetas) Jesus lança uma evidência puramente missiológica dizendo que “será pregado o Evangelho do Reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim”.
A expressãogrega para “e será pregado”[i] tem como raiz kerygma, uma proclamação audível e inteligível do Evangelho paralelamente à martyria[ii] que evoca um sentido mais pessoal, de testemunho de vida. Esta ação kerygmática aponta para o fato de que o Evangelho será pregado de forma compreensível. O “mundo” aqui exposto no texto é a tradução de oikoumene que significa “mundo habitado”. A idéia textual,portanto, não é geográfica, territorial, mas sim demográfica, onde há pessoas, mostrando que este Evangelho do Reino será pregado kerygmaticamente, inteligivelmente, em todo o mundo habitado. A forma de isso acontecer, segundo o texto, é através do testemunho a todas as nações. A raiz para “testemunho” aqui é martyria que nos ensina que esta ação proclamadora, kerygmática, do Evangelho aconteceráatravés de uma Igreja martírica, que tenha o caráter de Cristo. Ou seja, apenas os salvos pregarão este Evangelho do Reino. Finaliza a frase dizendo que o testemunho chegará a todas a nações, onde traduzimos o termo ethnesin, de ethnia, para nações, ou seja, grupos lingüistica e culturalmente definidos. Poderíamos parafrasear o verso 14 dizendo que “o Evangelho do Reino será proclamado de formainteligível e compreensível por todo o mundo habitado, através do testemunho martírico, de vida, da Igreja, a todas as etnias definidas”. A frase final nos diz que “então virá o fim” e “fim” aqui (telos) aponta para a volta do Senhor Jesus, ligada comumente à sua parousia, seu retorno.
Gostaria de chamar sua atenção para o princípio bíblico da comunicação. Jesus nos ensina diversas vezes que a transmissãodo conhecimento do Evangelho não será uma ação realizada sem a participação comunicativa da igreja. Esta participação envolve duas ações principais: a vida e testemunho da Igreja, bem como a atitude de proclamar, expor, o Evangelho de Cristo. Esta comunicação do Evangelho, portanto, em uma perspectiva transcultural, necessita de um trabalho de “tradução” em duas áreas específicas: a língua e acultura. As línguas dispõem de códigos diferentes para viabilizar a comunicação e o mesmo ocorre com a cultura. Quando se expõe a um Inuit, ou esquimó, que o sangue de Jesus nos torna branco como a neve, ele rapidamente nos perguntaria qual categoria de branco, já que em sua visão culturalizada de quem convive com a neve e o gelo por milênios, há treze diferentes tipos de “branco”. Ignorar tal...
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