Consumindo O “Outro” - Branquidade, Educação E Batatas Fritas Baratas

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Contra a propaganda e as batatas fritas bartas do
McDonald's
Por Michael W. Apple (citado por Carol) 26/10/2001 às 08:36

texto sobre o McDonald's
Caros amigos, a coisa é revoltante...
Muitos de vocês já viram, ou verão, uma propaganda do McDonald's onde um
menino aparece a frente de toneladas de batatas, explicando de onde elas vêm e
que são "destinadas a fazer a batatinha mais gostosado mundo!" O que ele não
sabe, e provavelmente, a maioria de nós, é como é produzida essa batata, e
quantas vidas indonésias são perdidas para nós, felizes ocidentais, comermos a
batatinha mais gostosa do mundo. Leiam esse artigo e reflitam antes de comê-las!
Um abraço,
Carol
PS: O artigo traz outros assuntos afins.
Consumindo o ?outro?
Branquidade, educação e batatas fritas baratasMichael W. Apple
Comendo Batatas Fritas Baratas
O sol se refletia no teto do pequeno carro, enquanto percorríamos a estrada de
pista simples. O calor e a umidade faziam-me perguntar se sobraria algum líquido
no meu corpo, ao fim da viagem, e levava-me a apreciar os invernos de Wisconsin
mais do que seria de se esperar. A idéias de inverno parecia muito remota, neste
pequeno país asiático pelo qualeu tenho grande apreço, mas o assunto em
discussão não era o clima, eram as lutas dos educadores e ativistas sociais para
construir uma educação que fosse consideravelmente mais democrática do que
aquela vigente no país, no momento. O tópico era perigoso. Discuti-lo filosófica e
formalisticamente em termos acadêmicos era tolerado. Trazê-lo abertamente à
discussão e situá-lo dentro de umaséria análise das estruturas de poder
econômico, político e militar que agora detêm o controle sobre tantas coisas na vida
diária desse país é uma outra questão.
À medida que progredíamos por aquela estrada rural, no meio de uma das
melhores conversações que já tive sobre as possibilidades das transformações
educacionais e das realidades das opressivas condições que tantas pessoas
estavamenfrentando naquela terra, meu olhar da alguma forma foi atraído para
um dos lados da estrada. Num daqueles acontecimentos quase acidentais, que
esclarecem e cristalizam o que realidade é realmente, meu olhar caiu sobre um
objeto aparentemente inconseqüente. Em intervalos regulares havia pequenas
placas de sinalização plantadas na terra a poucos metros do lugar onde a estrada e
o campo seencontravam. A placa era muito mais do que familiar. Levava a insígnia
de um dos mais famosos restaurantes de ?fast food? dos Estados Unidos.
Trafegamos por quilômetros, passando por terrenos aparentemente desertos, ao
longo de uma planície quente, ultrapassando sinal após sinal, cada um deles uma
réplica do precedente, cada um com menos de meio metro de altura. Não se
tratava de ?outdoors?. Estesdificilmente existem nessa pobre região rural. Ao
contrário, eles eram exatamente ? exatamente! ? iguais às pequenas placas que
são encontradas próximas às fazendas do meio-oeste americano e que indicam o
tipo de semente de milho que cada agricultor plantou no seu campo.
Fiz ao motorista ? um amigo chegado e meu ex-aluno que havia retornado àquele
país para trabalhar nas reformas educacionais esociais que eram tão necessárias ?

aquela que se revelou por fim uma pergunta ingênua mas crucial para minha
própria educação. ?Por que estas placas do **** estão ali? Há um restaurante
**** por perto?? Meu amigo olhou-me surpreendido. ?Michael, você não sabe o
que estas placas significam? Não há restaurantes ocidentais num raio de oitenta
quilômetros de onde estamos. Estas placasrepresentam exatamente o que há de
errado com a educação, neste país. Ouça isto.? E eu o escutei.
Trata-se de uma história que deixou em mim uma marca indelével porque ela
condensa, em um conjunto importante de experiências históricas, as conexões
entre nossas lutas como educadores e ativistas, em muitos países, e as formas
pelas quais o poder atua de forma diferencial na vida cotidiana. Não...
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