Construtivismo na sala de aula

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  • Publicado : 13 de março de 2012
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O CONSTRUTIVISMO NA SALA DE AULA
A CONCEPÇÃO CONSTRUTIVISTA DA APRENDIZAGEM ESCOLAR E DO ENSINO
Escola, cultura e desenvolvimento
A existência da instituição escolar é algo tão inerente à nossa sociedade e à nossa maneira de viver que, às vezes, não nos perguntamos por que há escola ou damos a essa pergunta respostas um pouco simples ("para guardar as crianças e distraí-Ias", "para reproduzira cultura estabeleci¬da"). Não vamos entrar em uma análise - mesmo breve - daquilo que a escola significa nas socieda¬des ocidentais, mas gostaríamos de frisar que, assim como não podemos entender o desenvolvi¬mento humano sem cultura, dificilmente poderemos entendê-Io sem considerar a diversidade de práti¬cas educativas por meio das quais podemos ter acesso e interpretamos de forma pessoal essacultura, práticas essas em que cabe incluir as es¬colares. Mediante essas práticas tenta-se assegu¬lar uma intervenção planejada e sistemática, desti¬lada a promover determinados aspectos do desen¬volvimento de meninos e meninas.
É evidente que por meio da escola - e da família, dos meios de comunicação - entramos em contato com uma cultura determinada, e que nesse sentido contribuímos para a suaconservação. A preocupação com uma escola alienante e estática em sido uma constante entre pensadores de diver¬sas disciplinas, que chamaram a atenção para esse perigo, por outro lado extensivo a outros âmbitos educacionais e, naturalmente, a outras instituições sociais.
No tocante à escola, negar seu caráter so¬cial e socializado r parece bastante absurdo; na realidade, essa é uma das razões dasua existên¬cia. No tocante ao aluno, já estão longe as explica¬ções que o inseriam em um plano reativo, até pas¬sivo, diante do que lhe é oferecido como objeto de aprendizagem. Nessas explicações, era razoável o amor de uma escola fundamentalmente alienante e conservadora. A educação escolar promove o des¬envolvimento na medida em que promove a ativi¬dade mental construtiva do aluno, responsávelpor transformá-Io em uma pessoa única, irrepetível, no contexto de um grupo social determinado. Os bebês aprendem muitas coisas no seio da família; seus pais realizam esforços notáveis para ensinar-¬Ihes determinados aspectos cruciais para seu des-envolvimento. A ninguém ocorre contrapor a função educadora dos pais ao papel ativo da criança em sua aprendizagem.
A concepção construtivista daaprendiza¬gem e do ensino parte do fato óbvio de que a es¬cola torna acessíveis aos seus alunos aspectos da cultura que são fundamentais para seu desenvolvi¬mento pessoal, e não só no âmbito cognitivo; a educação é motor para o desenvolvimento, consi¬derado globalmente, e isso também supõe incluir as capacidades de equilíbrio pessoal, de inserção social, de relação interpessoal e motoras. Ela tam¬bémparte de um consenso já bastante arraigado em relação ao caráter ativo da aprendizagem, o que leva a aceitar que esta é fruto de uma constru¬ção pessoal, mas na qual não intervém apenas o sujeito que aprende; os "outros" significativos, os' agentes culturais, são peças imprescindíveis para essa construção pessoal, para esse desenvolvi¬mento ao qual aludimos.
No sentido exposto, este referencialexpli¬cativo permite integrar posições que às vezes se contrapõem muito; não contrapõe o acesso à cultu¬ra ao desenvolvimento individual. Pelo contrário, entende que este, mesmo tendo uma dinâmica interna (como demonstrou Piaget), adota cursos e formas dependentes do contexto cultural em que a pessoa em desenvolvimento vive; entende que esse desenvolvimento é inseparável da realização de certosaprendizados específicos. Pela mesma razão, não contrapõe construção individual à inter¬ação social; constrói-se, porém se ensina e se aprende a construir. Em definitivo, não contrapõe a aprendizagem ao desenvolvimento, e entende a educação - as diversas práticas educativas das quais um mesmo indivíduo participa - como a chave que permite explicar as relações entre ambos.
Aprender é construir
A...
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