Conflitos do bico do papagaio

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  • Publicado : 3 de março de 2013
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Conflitos do Bico do papagaio
⦁ Breve introito aos conflitos
⦁ Contextualização geográfica
A região do Bico do papagaio compreende a área do extremo norte do estado do Tocantins, estando entre os rios Araguaia e Tocantins e fazendo fronteira entre os estados do Pará, ocidentalmente, e do Maranhão em sua porção oriental.

Fonte: INCRA 2008
⦁ Origens dos conflitos por terra
Os conflitosagrários do Maranhão tem sua progênie em 1612 com a ocupação francesa do referido território, que estabeleceram a chamada França Equinocial, como tentativa de usufruir e participar do lucrativo comércio dos produtos oriundos do Brasil. As primeiras batalhas entre os portugueses e seus aliados indígenas, de um lado, e franceses e seus aliados indígenas, do outro, ocorreram já no final de 1614. Apósum período de trégua e conversações diplomáticas, no dia 1º de novembro de 1615 os portugueses tomaram o forte na batalha de Guaxenduba, após uma vitória por eles considerada milagrosa.
⦁ A questão agrária no bico do papagaio entre 1964 e 1985
A ocupação da terra na região Bico do Papagaio tem inicio nos anos 40 e 50 com a criação da CANG (Colônia Agrícola de Goiás), quando o Governo Federalpassa a ser o principal fomentador da política econômica e do processo de desenvolvimento, tornando-se o grande incentivador da ocupação dessa parte da Amazônia. Seu principal objetivo era cumprir o papel de regulador do processo de ocupação em uma perspectiva capitalista, quase sempre discriminando os despossuídos e estimulando a concentração de terras em poucas mãos (PEREIRA 1990, p, 47).
A partirda década de 1960, oriundo de um intenso processo de industrialização, várias empresas começariam a se instalarem na região e nas terras devolutas as margens da rodovia Belém-Brasília, rodovia que ligava a Amazônia a região Centro-Sul do país, oportunizando, portanto, o aumento no número de empresas agrícolas. Dessa maneira, a terra passa a ser vista como produto, mercadoria, causando uma disputapor ela.
O Estado passou também a intervir nesse comércio/cenário econômico com o intuito de que este corroborasse com o processo de industrialização pós-golpe de 1964 ao adequar a agricultura aos interesses agroexportadores brasileiros, integrando essa porção Amazônica aos grandes centros industriais brasileiros. Para tais fins, órgãos como SUDAM, INCRA, GETAT e o BASA (Banco da Amazônia S. A)foram criados para favorecer a implementação de um projeto que excluía a grande parcela da população que ali residia, já que acabaram por favorecer e estimular a grande propriedade contribuindo para o desenvolvimento da pecuária agroexportadora.
Os conflitos pela terra intensificam-se na década de 70, com um aumento das políticas públicas voltadas para o financiamento de grandes projetos, o quepropiciou uma corrida para a região, propiciando o “aparecimento” de cidades, povoados às margens das rodovias, tais como a Belém-Brasília e mais tarde a transamazônica. Segundo Ianni, intensificava-se, portanto, a chamada reforma agrária espontânea, resultado do crescente fluxo de trabalhadores rurais para as terras indígenas e devolutas dessas áreas.
A atuação militar deu-se como resultado datemeridade das elites frente à concretização da “revolução brasileira”, intrinsecamente relacionada à Guerrilha do Araguaia, que ameaçava o regime em curso. Em meio ao conflito, o posseiro da região do Bico do Papagaio foi atingido, pois estava resistindo as constantes mudanças que seu espaço físico e social vinha passando. (MARTINS, 1991, p. 125), à medida que houve uma desagregação de costumes ehábitos, agravando o futuro destes indivíduos na região, ou seja, à medida que cresceram os investimentos para o grande proprietário, diminuiu a colonização das pequenas propriedades.
Dessa maneira, a política socioeconômica aplicada na região do Bico do Papagaio no contexto da Guerrilha do Araguaia está diretamente relacionada com os interesses da classe dominante, visto que a modernização...
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