Conceitos de diversidade cultural

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  • Publicado : 3 de junho de 2012
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Diversidade Cultural, no contexto atual, possui duas linhas inseparáveis, que é motivo de discussão global, pois estão refletidas nos documentos internacionais. A primeira refere-se ao contexto da diversidade dentro de uma sociedade específica, em que seus indivíduos possuem características culturais heterogêneas que, em conjunto, constroem uma identidade nacional, cuja preocupação é a manutençãodos seus direitos, da democracia cultural, da busca da igualdade das minorias. A segunda está inserida no contexto mundial das trocas dos bens e serviços culturais e busca um intercâmbio equilibrado entre os países. Ambas precisam ser garantidas, pois sem a manutenção da identidade cultural de um povo, feita principalmente através de suas políticas públicas, suas expressões culturais nãoconseguirão serem produzidas, o que empobreceria o diverso mundo das trocas, das experiências, dos locais, dos indivíduos.
Deste modo, a importância de uma Convenção que defina o seu conceito e o regulamente é de grande relevância para a sua preservação e perpetuação.

A escola tem um papel fundamental neste processo de negação das identidades culturais. A simples “integração”, proposta aos povosindígenas através da escola, é nada menos do que a aceitação da língua e da cultura dominante oficial, em prejuízo da diversidade cultural e da lingüística real. É nestes antecedentes que se encontram as raízes históricas do divórcio entre a sociedade real e o Estado oficial, desencontro que perdura até os nossos dias.

Essa escola que temos hoje, tem veiculado a imposição de toda essa concepçãoocidental, que privilegia a cultura escrita em prejuízo da cultura oral e dos conhecimentos das culturas tradicionais. O processo de ocidentalização do mundo tem imposto igualmente as falsas oposições entre modernidade e tradição, entre cultura oral e cultura escrita, privilegiando um tipo de inteligência e uma maneira determinada de construir o conhecimento. Tem sido um processo de exclusão, queacaba por sacrificar um enorme patrimônio cultural coletivo.

Os conhecimentos do saber oficial institucionalizado pela cultura dominante não compreendem senão um pequeno território do saber real. Toda a riqueza dos saberes da vida cotidiana, que fazem parte da educação tradicional por exemplo, têm sido excluídos pelas instituições da cultura oficial imposta pelo Ocidente.

Antes a modernização e,hoje, a globalização, impõem um “modelo de cultura única”, sob o qual todos os povos devem alinhar-se, sem nenhum respeito à diversidade cultural. Nesta perspectiva, os povos indígenas e as outras culturas são estigmatizados como atrasados e considerados como um obstáculo à globalização do capitalismo.

O problema começa quando uma cultura se impõe a outra, como é o caso do qual tratamos. Ahistória do etnocentrismo europeu, que surgiu a partir da conquista da América e da África, criou os implícitos culturais para legitimar a empresa colonial e pós-colonial. Um desses implícitos, presentes ainda hoje e exercendo influência, é aquele da “universalidade da cultura ocidental”.

É a partir desse implícito cultural que encontramos freqüentemente a tendência de inferiorizar o saber, avisão de mundo, a concepção e o modo de vida das outras culturas. A pretensa “universalidade da cultura ocidental” veicula igualmente certas “verdades”, concebidas sob a base de um só e único modelo de sociedade, induzindo as outras culturas a recuperarem seu “atraso” em relação à sociedade ocidental. Essa concepção pertence ao determinismo cultural e faz da cultura uma entidade resistente às mudançase autônoma em suas determinações, tornando-a, em conseqüência, irredutível a si mesma.

Nós temos que imaginar uma sociedade plural, multicultural, capaz de administrar a igualdade e a justiça na diversidade cultural; uma sociedade aberta e tolerante diante das pluralidades que nos oferecem as sociedades multiculturais e que ultrapassam as fronteiras culturais e as antigas fronteiras...
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