Compras

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 16 (3917 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 26 de abril de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
HUME E A CRÍTICA À RELIGIÃO NATURAL1
Hélio José dos Santos SOUZA Rodrigo ANDIA Rogério VAGNA 2

RESUMO Trata-se de apresentar os principais elementos da crítica de Hume à religião natural. Através da investigação levada a cabo nos Diálogos sobre a religião natural, mostra-se um conjunto de objeções aos principais argumentos que têm por objetivo fundamentar a religião por meio de justificativasracionais. Diante de propósito demasiado amplo para a estreiteza de nossa razão, Hume conclui que somente a fé deve ocupar-se com tal assunto. PALAVRAS-CHAVE: Religião natural; Desígnio; Razão; Ceticismo; Fé.

Os Diálogos sobre a religião natural, publicados postumamente em 1779, são os escritos mais significativos deixados por David Hume acerca da religião. Restrições sobre o livre debate dotema à época terão levado Hume a não contestar, mais abertamente do que o faz, os princípios da religião natural, o que de modo algum compromete a sua análise. A questão da existência de Deus, por exemplo, aparentemente não discutida, permeia implicitamente a obra através da análise do argumento que busca provar “[...] a existência de uma Divindade e sua semelhança com a mente e inteligênciahumanas.” (HUME, 1992, p. 31). Hume investiga a religião aplicando o princípio empirista de que todo o conhecimento é derivado da experiência. Para uma melhor compreensão sobre a base do pensamento humeano e sua aplicação nos Diálogos, é importante considerar, em particular, o Tratado da natureza humana (1739-1740) e a Investigação acerca do entendimento humano (1749).

1 2

Esse artigo resulta dostrabalhos elaborados pelo Grupo de Pesquisa “Em torno do Iluminismo”. Graduandos do curso de Filosofia, respectivamente dos 2º, 3º e 2º anos da Faculdade de Filosofia e Ciências – UNESP, CEP 17525-900, Marília, São Paulo – Brasil, com orientação do Dr. Ubirajara Rancan de Azevedo Marques.
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 4, n. 2, 2004.

125

Ceticismo e empirismo são elementospresentes na construção da crítica humeana sobre a religião, servindo de suporte investigativo a um assunto sobre o qual o autor afirma: “Somos como forasteiros em uma terra estranha, aos quais tudo parece suspeito e que permanentemente correm o risco de transgredir as leis e os costumes das pessoas com quem convivem e se relacionam.” (HUME, 1992, p. 17). São esses os instrumentos utilizados por Humepara alcançar o objetivo proposto na obra, que consiste – ainda que não explicitamente – na comprovação da inexistência de uma justificativa racional como fundamento da religião natural. Logo ao início da obra, em frase que expressa claramente a crítica de Hume, e que pode ser vista como fio condutor da investigação promovida, ele afirma: “Tornemo-nos plenamente conscientes da debilidade, cegueirae estreiteza da razão humana.” (HUME, 1992, p. 11). Quão mais incertas forem nossas decisões sobre os assuntos da vida cotidiana, na qual nos serve de guia a experiência, tão mais errôneas serão as conclusões formadas sobre assuntos que ultrapassam os limites do intelecto. Seria o mesmo que estar em uma região na qual não houvesse forma, extensão e cor, e ainda assim permanecer à procura de umobjeto de conhecimento. Nesse sentido, Hume expressa sua posição negativa perante o tema da religião, pois a razão não consegue fornecer dados seguros que possibilitem a compreensão de objetos tão vastos e distantes da experiência, como se apresentam os princípios da religião. Resta-nos somente a suspensão do juízo, já que não se pode nem aceitar o Deus proposto pela religião, nem tampouco negar comsegurança a possibilidade da existência divina. Como nos diz o autor:

Quando nossas especulações se restringem aos negócios, à moral, ou à política, podemos a cada instante apelar para o senso comum e para a experiência, que fortalecem nossas conclusões filosóficas e removem (em parte, ao menos) a desconfiança que acertadamente experimentamos frente a todo raciocínio demasiado sutil e...
tracking img