Como o existencialismo de sartre explica a angústia na poesia de florbela espanca.

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  • Publicado : 26 de outubro de 2012
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COMO O EXISTENCIALISMO DE SARTRE EXPLICA A ANGÚSTIA NA POESIA DE FLORBELA ESPANCA.
Adriana Maria*

Resumo
Sem pretensão alguma de esgotar a análise do tema estudado: “Como o existencialismo de Sartre explica a angústia na poesia de Florbela Espanca”, o presente trabalho tem por finalidade estudar de que forma ocorre, onde começa e como se dá o processo do sujeito melancólico, com base navisão do filósofo Jean Paul Charles A. Sartre, bem como mostrar que a “angústia”, como parte inerente do ser humano, interfere na construção de sua obra.
Palavra-chave: existencialismo-angústia-obra.

Abstract
Without pretense to exhaust the analysis of the studied subject: "As the existentialism of Sartre explains the anguish in poetry Florbela Espanca", this work was to study how it occurs,where it begins and how is the process of the melancholic subject , based on the vision of the philosopher Jean Paul Charles A. Sartre, as well as showing that the "distress" as an inherent part of being human, interferes with the construction of his work.
Key word: existentialist- angst-labor

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*Formada pela Universidade Federal do Piaui em Letras-Português e cursandoespecialização em Literatura e Estudos Culturais pela Universidade Estadual do Piaui/2012.
Florbela de Alma da Conceição Espanca é autora de uma pequena, porém, diversificada obra. Entre contos, cartas, diários e poesias, ambos carregados de emoções, onde a poetisa extravasa o que vinha à alma, Florbela nos deixa uma poesia enigmática e única como ela própria.
“Entre agonias e dores tamanhas”(GUEDES, 1986), assim nasceu Florbela Espanca, em 1894, numa sociedade com resquícios significativos do patriarcalismo.
Em pleno século XIX, a situação da mulher portuguesa ainda era precária; seu papel se restringia a obediência ao marido, somente ao homem competia exercer autoridade sobre os filhos e demais assuntos, à mulher cabia paciência, habilidades domésticas, compreensão, doação, respeito ecastração de seus sentimentos.
No entanto, ao despontar da mocidade de Florbela, Portugal já seguia rumo à emancipação feminina, mesmo em passos lentos após a proclamação da República em 1910 (Florbela então com 16 anos), surgem algumas modificações no Código Civil, entre elas; novas leis sobre o casamento, baseado na igualdade; aprovação da lei do divórcio tendo o marido e a mulher os mesmosdireitos, foram algumas das modificações que deram uma certa abertura para as mulheres continuarem na luta de seus direitos
Porém, mesmo na luta por direitos iguais, a sociedade da época, excluindo uma minoria, ainda não estava preparada para aceitar e admirar uma mulher como a poetisa. Em “Versos de Orgulho” escreveria: “O mundo quer-me mal porque ninguém/ Tem asas como eu tenho! Porque Deus/ Me feznascer Princesa entre plebeus/ Numa torre de orgulho e de desdém!// Porque o meu Reino fica para Além!/ Porque trago no olhar os vastos céus,/ E os Oiros e os clarões são todos meus!/ Porque Eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!..” (Poesia vol. II pág. 167).
Percebe-se nos versos acima que a poetisa sabia o que representava e que estava muito à frente de seu tempo. Prova disso é o verso que diz;...Porque o meu Reino fica para além!
Desde muito cedo aprendeu a quebrar regras, o divórcio foi uma delas, de temperamento forte não dava lugar para ser subjugada, a poetisa era o avesso da mulher de sua época e, por isso mesmo, sentia que o mundo a queria mal. Florbela desde muito cedo percebeu que não se encaixava às regras sociais de mulher submissa. Mostrou-se sem máscaras e preconceito, poresse motivo manteve uma luta constante consigo mesma e com sua família. Sentia-se incompreendida e, como tal expressava seus sentimentos nos vários poemas que escrevia; com o poema “Poetas” expressa: “Ai as almas dos poetas/ Não as entende ninguém/ São almas de violetas/ Que são poetas também//Andam perdidos na vida/ Como as estrelas no ar/ Sentem o vento gemer/ Ouvem as rosas chorar!...” (...
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