Como falar de drogas nas escolas

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  • Publicado : 5 de março de 2013
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COMO FALAR DE DROGAS NA ESCOLA 

Como abordar a questão das drogas na escola? 
"Uma vez dependente é muito difícil ficar livre da droga", é o alerta feito pelo professor e pesquisador José Carlos Galduróz, do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Prevenir parece ser a melhor alternativa diante de estatísticas que mostram que o número de usuáriosdependentes que conseguem deixar as drogas está em torno de 30%. É na prevenção que a escola atua. Nessa "terra de ninguém" como diz Galduróz, em que apesar dos caminhos serem diversos, parece não haver dúvidas sobre o importante papel que a escola desempenha.

O perigo da generalização
Não há um modelo, uma fórmula, uma metodologia para abordar a questão das drogas na escola. "A generalização éperigosa" diz Elson da Silva Lima, que é professor e pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pois desconsidera a diversidade de usuários, tipos de drogas utilizadas, efeitos e conseqüências, além de contextos que envolvem usuários.

Galduróz afirma que "o comum é "importar" programas de outros países e aplicá-los aos nossos jovens, porém asrealidades são diferentes". Nos Estados Unidos, por exemplo, o consumo de maconha e cocaína entre estudantes é grande. Já no Brasil, os estudantes usam mais os solventes, como o esmalte, éter, acetona e até "corretor branquinho" - que está no próprio estojo - antes, inclusive, do que drogas como cocaína e maconha. "Parece óbvio que um programa que dê ênfase à cocaína terá um sucesso pequeno entrenossos estudantes", diz o pesquisador. Na opinião dos pesquisadores, trazer a diversidade para a sala de aula na abordagem da questão das drogas é um interessante caminho para evitar os estigmas e preconceitos que emergem quando o tema é tratado, além de discutir as particularidades de cada escola, de cada realidade, criando formas de abordagem próprias que podem ser mais duradouras e eficazes.Qual o alcance da proibição?
Proibir realmente funciona? Até que ponto a proibição é um fator inibidor ao consumo de drogas? Estas foram questões que envolveram o professor Elson Lima durante sua pesquisa de doutorado, que buscou avaliar como isso funciona na "cabeça de estudantes" de escolas públicas de Campinas (SP). A pesquisa, que envolveu alunos do ensino fundamental (7ª e 8ª séries) emédio, mostra que os estudantes podem adquirir facilmente tanto drogas lícitas, quanto ilícitas, reforçando a hipótese inicial do pesquisador de que "usar ou não uma substância passa mais por um crivo individual do que por qualquer pressão que possa ser feita". "Nem sempre adianta dizer que faz mal para saúde, porque a decisão além de pessoal, também é circunstancial", afirma. Lima defende a idéia deque "a preocupação é desmedida entre drogas lícitas e ilícitas. O álcool e o cigarro trazem muito mais danos sociais, do ponto de vista da saúde pública, do que drogas ilegais", e acredita que a ação deveria ser mais direta sobre estas drogas. 

O comportamento de usar substâncias psicoativas é visto no campo epidemiológico como uma doença e os parâmetros de avaliação são geralmente os casosextremos - o não uso ou a dependência crônica - desconsiderando que há inúmeras pessoas que experimentam e não desenvolvem dependência. Diferente de uma doença transmissível - em que a pessoa não quer pegar a doença e o papel da epidemiologia é de retirar o indivíduo da exposição aos fatores de risco -, no uso de drogas a exposição é voluntária e a proibição não apresenta os resultados esperados,explica Lima. Essa também é a opinião de Galduróz que lembra que "a repressão é apenas um dos braços da prevenção e provavelmente não é o mais importante. Se assim fosse os Estados Unidos estariam livres das drogas".

"Faça o que digo, não faça o que eu faço"
Quase não existem abstêmios, ou seja, pessoas que não utilizam nenhuma substância psicoativa - entre elas chá (mate), café, chocolate,...
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