Comercio sino-brasileiro

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REVISTA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA V. 19, Nº SUPLEMENTAR: 31-44 NOV. 2011

O QUE ESPERAR DAS RELAÇÕES BRASIL-CHINA?
Danielly Silva Ramos Becard
RESUMO
O artigo trata das relações recentes mantidas entre o Brasil e a República Popular da China (RPC). Objetiva-se apontar os resultados alcançados e os desafios remanescentes nas relações econômico-comerciais e na cooperação bilateralsino-brasileira nas últimas duas décadas (1990-2010). Utiliza-se a hipótese de que as relações entre Brasil e China apresentaram avanços durante o período graças, em especial, à maior liberdade de ação promovida pela interdependência crescente do sistema internacional; embora tais avanços tenham sido limitados devido, sobretudo, (i) às instabilidades internas no Brasil e na China e (ii) à falta de planejamentosistemático da parceria sino-brasileira. Para verificar a hipótese foi examinada a evolução histórica das relações sino-brasileiras, destacando as três primeiras fases das relações bilaterais, referentes à (i) gestação das relações (1949-1974); (ii) fixação das bases das relações (1974-1990); (iii) crise nas relações bilaterais (1990-1993). Em seguida, foram apresentadas as duas últimas fases dasrelações sino-brasileiras; (iv) o estabelecimento da parceria estratégica (1993-2003) e (v) a maturação das relações bilaterais sino-brasileiras (2003 aos dias atuais). Concluímos que, por um lado, os processos de abertura e globalização no início dos anos 1990 permitiram um aumento de laços entre Brasil e China e, por outro, crises de legitimidade chinesa no plano internacional e mudanças napolítica externa brasileira levaram a fortes impasses nas relações; por sua vez, enquanto o Brasil hesitou entre uma política externa cooperativa e desenvolvimentista e uma política externa neoliberal e autolimitada à exploração de aspectos econômicos, e submissa a forças hegemônicas internacionais, a China reforçou o pragmatismo de seu comportamento internacional, ampliando o perfil logístico de suapolítica externa e a busca por oportunidades já no início dos anos 2000. PALAVRAS-CHAVE: China; Brasil; relações bilaterais; relações econômico-comerciais.

I. INTRODUÇÃO: RELAÇÕES EMBRIONÁRIAS ENTRE BRASIL E CHINA (1949-1974) A história comum entre Brasil e China, cujas raízes remontam aos anos 1950, passou por diversas etapas que refletiram sobremaneira os projetos desenvolvimentistas de ambosos países e sua capacidade de adaptação às transformações em curso no sistema internacional. A primeira fase das relações sino-brasileiras – que se estendeu da fundação da República Popular da China, em 1949, até a assinatura do acordo de reconhecimento diplomático entre os dois países, em 1974 – foi marcada por grandes objetivos de parte a parte: a vontade chinesa de prosseguir com sua políticade libertação nacional e o interesse brasileiro de alargar sua lista de parceiros comerciais e aumentar seu prestígio internacional. O ápice da fase embrionária ocorreu em 1961, com a visita do Vice-Presidente João Goulart à China, a primeira até então. Logo após a sua fundação em 1949 e ao longo da década de 1950, o interesse da República PoRecebido em 25 de maio de 2011. Aprovado em 25 de junhode 2011.

pular da China (RPC) pela América Latina, em geral, e pelo Brasil, em particular, estava diretamente ligado à vontade de reconstruir o país e aumentar sua segurança. Diante das dificuldades enfrentadas no relacionamento com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a partir do final dos anos 1950, a China decidiu contraatacar sistematicamente a política soviética no seio domovimento comunista internacional, com vistas a aumentar seu poder político e fazer-se aceitar mundialmente. Na década de 1960, a China passou a lutar contra as forças hegemônicas das duas potências da época, Estados Unidos e URSS, apoiando-se nos países capitalistas desenvolvidos da Europa Ocidental e nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina para...
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