Com esta narrativa foucault apresenta um exemplo de suplício e logo adiante também narra a história de como utilizar o tempo a exemplo da casa dos jovens detentos de paris. assim, acreditamos com a explanação que se

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Com esta narrativa Foucault apresenta um exemplo de suplício e logo adiante
também narra a história de como utilizar o tempo a exemplo da Casa dos jovens detentos de
Paris.
Assim, acreditamos com a explanação que se segue, cumprimos o dever a nós
atribuído quando da escolha do livro para resumo pelo professor.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir Nascimento da Prisão.

O CORPO DOSCONDENADOS
Apresentamos exemplo de suplício e de utilização do tempo. Eles não sancionam os
mesmos crimes, não punem o mesmo gênero de delinqüentes. Mas define bem, cada um
deles, um certo estilo penal.
Dentre tantas modificações, atenho-me a uma: o desaparecimento dos suplícios. Em
algumas dezenas de anos, desapareceu o corpo supliciado, esquartejado, amputado,
marcado simbolicamente norosto ou no ombro, exposto vivo ou morto, dado como
espetáculo. Desapareceu o corpo como alvo principal da repressão penal.
No fim do século XVIII e começo do XIX, a despeito de algumas grandes fogueiras,
a melancólica festa de punição vai-se extinguindo. A punição pouco a pouco deixou de ser
uma cena. E tudo o que pudesse implicar de espetáculo desde então terá um cunho
negativo; e comoas funções de cerimônia penal deixavam pouco a pouco de ser
compreendidas, ficou a suspeita de que tal rito que dava um “fecho” ao crime mantinha
com ele afinidades espúrias: igualando-o, ou mesmo ultrapassando-o em selvageria,
acostumando os espectadores a uma ferocidade de que todos queriam vê-los, afastados,
mostrando-lhes a freqüência dos crimes, fazendo o carrasco se parecer comcriminoso, os
juízes aos assassinos, invertendo no último momento os papéis, fazendo do supliciado um
objeto de piedade e de admiração.
A execução pública é vista então como uma fornalha em que se ascende a violência.
A punição vai-se tornando, pois, a parte mais velada do processo penal, provocando
várias conseqüências: deixa o campo da percepção quase diária e entra no da consciênciaabstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade não à sua intensidade visível; a certeza de
ser punido é que deve desviar o homem do crime e não mais o abominável teatro; a
mecânica exemplar da punição muda as engrenagens. Por essa razão, a justiça não mais
assume publicamente a parte de violência que está ligada a seu exercício. O essencial da
pena que nos, juízes, infligimos não creiaisque consista em punir; o essencial é procurar
corrigir, reeducar, “curar”, uma técnica de aperfeiçoamento recalca, na pena, a estrita
expiação do mal, e liberta os magistrados do vil ofício de castigadores.
O desaparecimento dos suplícios é, pois o espetáculo que se elimina; mas é também
o domínio sobre o corpo que se extingue.
Mas de modo geral as práticas punitivas se tornaram pudicasO sofrimento físico, a dor do corpo não é mais os elementos constitutivos da pena.
Se a justiça ainda tiver que manipular e tocar o corpo dos justiçáveis, tal se fará à distância,
propriamente, segundo regras rígidas e visando a um objetivo bem mais “elevado”.
Embora se tenha alcançado o essencial da transmutação por volta de 1840, embora
os mecanismos punitivos tenham adotado novo tipo defuncionamento, o processo assim
mesmo está longe de ter chegado ao fim.
O poder sobre o corpo, por outro lado, tampouco deixou de existir totalmente até
meados do século XIX. Sem dúvida, a pena não mais se centralizava no suplício como
técnica de sofrimento; tomou como objeto a perda de um bem ou de um direito. Porém
castigos como trabalhos forçados ou prisão – privação pura e simplesda liberdade – nunca
funcionaram sem certos complementos punitivos referentes ao corpo: redução alimentar,
privação sexual, expiação física, masmorra. Na realidade, a prisão, nos seus dispositivos
mais explícitos, sempre aplicou certas medidas de sofrimento físico.
Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o
que, então, se exerce? A resposta dos...
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