Classes gramaticais

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Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758

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DAS PARTES DA ORAÇÃO ÀS CLASSES GRAMATICAIS

Luiz Roberto Peel Furtado de OLIVEIRA
Universidade Federal do Tocantins
luizpeel@uft.edu.br
Resumo: A prática dos estudos clássicos aprimora a análise lógica e a percepção estética;
desenvolvendo, ainda, a percepção da necessária e profícua conjunção dos estudos daciência
com os estudos das humanidades e das artes. Ou seja, proporcionando ao acadêmico o
conhecimento histórico-pragmático da Língua e da Literatura Latina, dirigido para a
compreensão lógica do fato linguístico pancrônico, torna-se possível o desenvolvimento de
sua capacidade de análise, síntese, interpretação e avaliação crítica, almejando sempre uma
aprendizagem significativa para aatuação profissional futura com a língua portuguesa. Este
trabalho apresenta, como princípios para atingir esses objetivos propostos, os seguintes
pontos: o conhecimento do fato linguístico latino por meio de textos, isto é, de dentro para
fora (do concreto para o abstrato), sendo que os textos utilizados são aqueles das primeiras
gramáticas latinas; a compreensão do fato linguístico como umfenômeno pancrônico; a
aplicação do conhecimento adquirido em traduções de textos simples latinos e na
interpretação do fato linguístico português; a inferência dos fatos linguísticos em categorias
pragmático-lógicas; a avaliação da própria práxis hermenêutica; o aproveitamento dos saberes
e aprendizagens adquiridos fora do ambiente acadêmico, para que o processo não se construa
afastado da práxiscotidiana; e a articulação de teoria e prática através de ações educativas
capazes de instrumentalizar o aluno para a metodologia de incorporação dos saberes da área
de Letras. O norte teórico deste trabalho é composto pela filosofia da linguagem de Bakhtin e
pela semiótica europeia.
Palavras-chave: Estudos Clássicos; Gramática Latina; Pancronia; Semiótica; Filosofia da
Linguagem
IntroduçãoEste texto traduz, de modo simples e conciso, a experiência desenvolvida, com alunos
do Curso de Letras, da Universidade Federal do Tocantins, na apreensão da necessidade do
trabalho com a língua latina para melhor compreensão dos fenômenos linguísticos do
português. Como referencial teórico, a partir de Bakhtin, considerando sempre a atividade
dialógica como ponto de partida profícuo para oaprendizado, caminhamos para a Semiótica,
estudo fenomenológico dos textos que objetiva a recepção e compreensão dos sentidos.
Procuramos, dessa forma, estabelecer um diálogo constante com os primeiros gramáticos
latinos, não se esquecendo do seu substrato grego, para que o fato linguístico português fosse
contemplado dialogicamente em sua totalidade pancrônica.
Da Semiótica europeia,procuramos trabalhar com as três dimensões discursivas – a s
dimensões da paixão, da ação e da cognição, para que todos os processos de recepção e
compreensão linguísticos fossem abordados em todas as suas extensões pedagógicas. Como a
Semiótica se apoia na Fenomenologia, essas dimensões são vivenciadas e percebidas como
fundo, a partir do qual ocorrem as deiscências, aberturas, que permitirão que osujeito se
aproprie fenomenologicamente, quiçá pragmaticamente, do latim como fundo para a
compreensão da língua portuguesa, sendo que essa apropriação se dá pelo afeto, pela ação e
pela cognição interpretativas, quando as três dimensões são alcançadas – e foi esse o nosso
desejo.

Anais do SIELP. Volume 2, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2012. ISSN 2237-8758

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Um dos substratos que ajudouna formação dos semioticistas franceses foi a
Fenomenologia de Merleau-Ponty, que trabalha com as noções de fundo e de
intersubjetividade, para melhor compreensão do fenômeno, leiamos um excerto dessa obra
(1999, 484-5):
Cada existência só transcende definitivamente as outras quando permanece
ociosa e assentada em sua diferença natural. Mesmo a meditação universal que
corta o filósofo de...
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