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  • Publicado : 2 de outubro de 2012
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INTRODUÇÃO
No decorrer dos últimos anos, no Brasil, os temas que dizem respeito à terceira idade (envelhecimento) passaram a ser objetos de estudo para as ciências sociais. Em seu processo de envelhecimento, a pessoa idosa pode vir a sofrer alterações de diversas ordens favorecedoras de condição de fragilidade, muitas vezes associada a uma doença crônico-degenerativa ou a um quadro decomorbidade. Tal condição torna o idoso dependente de cuidados de outros, podendo expô-lo a situações de risco de violência intrafamiliar.
A negligência e os maus-tratos contra o idoso costumam acontecer quando os fatores de risco estão presentes no processo de cuidado continuo e duradouro em condições adversas, vindo a constituir ambiente de violência intrafamiliar.
Fator de risco é adotado em ciênciasda saúde como indicador de certas características que potencializam a probabilidade de um indivíduo adoecer. Assim, o conceito é usado para indicar as predisposições ao acometimento de eventos que aumentam os índices de morbi-mortalidade de determinado grupo. A remoção de tal fator pode prevenir o estabelecimento de situações de agravos à vida e à saúde.
No Brasil, pouco se tem escrito ediscutido sobre violência, negligência, abuso e maus-tratos. Precisa-se também de estatística quanto aos agredidos, agressores e também às prováveis causas. Trata-se de uma temática complexa, de difícil estudo e identificação, sobretudo em idosos, porque eles geralmente não denunciam abusos, menosprezo, abandono e desatenções sofridas, por medo de serem punidos e perderem o acolhimento que estão recebendode seus cuidadores, que são, ao mesmo tempo, os próprios agressores. Outros sentem vergonha de fazer denúncias. Há ainda aqueles que sofrem de maus-tratos sutilmente mascarados que não se dão conta de que estão sendo vítimas de violência (MINAYO; SOUZA, 2003).
É entendido que é necessário propor e discutir estratégias para proteger os idosos mais dependentes e seus familiares cuidadores contraa ocorrência da violência intrafamiliar, envolvendo entidades governamentais e não-governamentais, haja vista ser esta uma questão de grande amplitude e complexidade cujo enfrentamento envolve profissionais de diferentes campos de atuação, requerendo, uma efetiva mobilização de diversos setores do governo e da sociedade civil
Portanto, conhecer o fenômeno da violência intrafamiliar, por meio daidentificação dos fatores de risco que representam sinal de alerta e apontam a possibilidade de um idoso vir a sofrer violências, é relevante contribuição técnico-científica e social. A revelação de tal situação permitirá melhor compreender o fenômeno e possibilitar a implementação de medidas de vigilância à saúde e manutenção de uma convivência familiar pacífica entre os idosos dependentes e seusfamiliares cuidadores. Possibilitando também a mobilização de medidas socioculturais favorecedoras de construção da cidadania e melhoria da qualidade de vida de toda a unidade familiar. Compreendendo que a violência contra idosos é responsável por elevados índices de morbimortalidade, a contribuição social deste estudo poderá fornecer subsídios na formulação de estratégias de prevenção e/oucontrole da morbi-mortalidade secundária à violência.
No contexto de maus-tratos e negligência a idosos no âmbito intrafamiliar, existem sempre os fatores de risco, como a história de violência familiar, dependência (idoso fragilizado e agressor dependente da vítima), incapacidade funcional com alto grau de dependência para os cuidados, estresse do cuidador, isolamento social, problemas na área dasaúde mental, presença de alcoolistas entre os membros da família, entre outros (MACHADO; QUEIROZ, 2002).
Esses idosos são cuidados geralmente por um cuidador único, na maioria mulher, que sofre muitas vezes de quadro de pluripatologia e, ao se dedicar integralmente ao cuidado do idoso, acaba por entrar em estado de estresse e esgotamento físico e emocional. O contexto doméstico no qual o idoso e...
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