Ciencia e politica

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  • Publicado : 24 de setembro de 2012
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O livro Ciência e política: duas vocações, é baseado em conferências dadas por Max Weber, onde mostra pontos de tangência e divergência entre o cientista e o político. Para ele ambos os agentes procuram estas profissões visando não trabalhar, vivendo assim às custas do contribuinte por intermédio do Estado. A primeira diferença é que o cientista acha que seu ócio produtivo pode, um dia, servirpara algo. Já o político acha que nem isso. Por fim ele aconselha ambos a não interferirem em suas esferas. O cientista não deve interferir na esfera política, pois um dia seu partido pode perder a eleição para um partido rival e com isso ele perder suas regalias nas pesquisas, para o Estado. Já o político não deve perder seu tempo com algo que dá muito pouco dinheiro como a pesquisa científica.
Aciência como vocação Primeiro Ensaio ou Capítulo 1
O ator direciona o ensaio aos jovens supostamente com vocação à ciência, que pretendem se devotar à pesquisa por amor. Percebe-se que há um diálogo implícito, compondo o texto, numa tentativa de desmitificar uma visão idealizada, como também da presunção destes jovens e da pose irracional, então em voga na Alemanha.
Nesse movimento de "combatea ilusão", é possível identificar o propósito de Weber em comprovar a eficácia da explicação sociológica nos vários campos da vida social, em especial a que dá conta de fenômenos subjetivos. A vocação para a ciência decorre de um processo de racionalização, que na sociedade moderna, é caracterizada pelo pluralismo de valores, opondo-se religião, ciência, arte, e ética como potências ou "vocações"antagônicas.
A força explicativa e a originalidade desse modelo, exposto de maneira didática nesse capítulo, mostra nas páginas iniciais do ensaio um exame feito pelo autor de forma convencional, como pensa os fatos sociais e as condições materiais que enquadram a vocação universitária.
Contrapondo as ilusões dos jovens à objetividade da prática social, Weber destaca uma série de dilemas daocupação científica universitária (que para ele não se restringe às ciências naturais), numa descrição espantosamente atual: a dificuldade de conciliar duas capacidades distintas, a de professor e a de pesquisador; a necessidade de conjugar a inspiração e o anseio de criar algo duradouro num terreno sujeito às leis do progresso, a distinção pelo mérito numa atividade em que o ingresso e a ascensãoprofissional se encontram a mercê do acaso.
Segundo Weber, o cientista especializado faz parte da "grande fábrica da ciência", mas o faz, com dedicação apaixonada. Do contrário, deveria estar fazendo outra coisa na vida. É fácil identificar no ensaio de Weber que um elemento racional fundamental da ciência moderna a especialização depende de um elemento irracional a paixão. Ou seja, a paixão éincontrolável e não-passiva de escolha. Um tema é sempre escolhido, mesmo que indecisamente, a partir de alguns critérios que sempre dependem de nosso grau de envolvimento com o assunto, seja ele de cunho pessoal ou social, individual ou coletivo. Mas a paixão, por si só, é insuficiente. Novamente Weber desilude o leitor, pois gostar de um tema não basta. Para realmente ter uma vida científica, énecessário inspiração. E, nesse caso, nem mesmo a especialização é garantia de coisa alguma - Weber não dá garantias para a vocação da ciência - não há método para a inspiração, não há caminho seguro que leve até ela.
O autor aos poucos vai desfazendo toda e qualquer ilusão quanto à existência de uma tarefa nobre para a ciência, ele vai mostrando os limites da racionalidade. (Ora, sem inspiraçãonão há criação e sem criação não há nada de novo, não há progresso científico).
O filósofo chama a atenção para as conseqüências do talento e da paixão, bastante inflamáveis em uma Alemanha que saíra derrotada da guerra, estando assim procurando uma orientação. Ele fala do risco que o cientista talentoso corre, podendo se tornar uma "personalidade", um "líder", ou, como diríamos hoje em dia, uma...
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