Ciencia sociais

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Uma medida do grau de satisfação no trabalho: um estudo para homens e mulheres*
Adriana Fontesa Danielle Carusi Machadob Resumo Existem evidências na literatura internacional de que medidas de satisfação no trabalho podem funcionar como boas preditoras para as saídas do mercado de trabalho. Desta forma, estas medidas seriam também informativas para o entendimento das diferenças de mobilidade nomercado de trabalho entre homens e mulheres, complementando outros indicadores comumente utilizados na literatura tais como rendimento do trabalho, desemprego, etc. No caso brasileiro, não há uma literatura específica sobre este tema. Este artigo tem como objetivo, usando dados da Pesquisa Mensal do Emprego (PME/IBGE) de 2003 a 2006, identificar as principais características dos trabalhadores etrabalhadoras não satisfeitos com sua ocupação. Estes trabalhadores contribuem para o aumento da rotatividade no mercado de trabalho e são mais vulneráveis ao desemprego ou à inserção de forma autônoma na atividade econômica. Utilizaremos como proxies para a satisfação no trabalho a variável que identifica se o indivíduo tomou alguma providência para conseguir trabalho e se tinha desejo edisponibilidade para trabalhar horas adicionais.

Palavras-chave: gênero, trabalho, satisfação no trabalho.

Trabalho apresentado no XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em CaxambúMG – Brasil, de 29 de setembro a 03 de outubro de 2008. a Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade (Iets) e doutoranda do IE/UFRJ. E-mail: afontes@iets.org.br b Faculdade de Economia daUniversidade Federal Fluminense. E-mail: daniellecarusi@vm.uff.br

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Uma medida do grau de satisfação no trabalho: um estudo para homens e mulheres *
Adriana Fontesa Danielle Carusi Machadob 1. Introdução Existem evidências na literatura internacional de que medidas de satisfação no trabalho podem funcionar como boas preditoras para as saídas do mercado de trabalho (Akerlof et al., 1988;Vasileiou e Theodossou, 2007; Sousa-Poza e Sousa-Poza, 2007). Trabalhadores menos satisfeitos no trabalho possuem um maior risco de perder a sua ocupação. Por outro lado, o risco de perda de ocupação também tem um forte efeito no quanto os trabalhadores se sentem satisfeitos no trabalho. Determinadas características dos trabalhadores e de sua ocupação também são fundamentais para a compreensão dosmotivos pelos quais as pessoas estão ou não satisfeitas com o trabalho que possuem. Desta forma, estas medidas seriam também informativas para o entendimento das diferenças de mobilidade no mercado de trabalho entre homens e mulheres, complementando outros indicadores comumente utilizados na literatura tais como rendimento do trabalho, desemprego, etc. A satisfação no trabalho pode ser vista como umindicador da qualidade do casamento entre trabalhador e posto de trabalho reunindo dimensões quantificáveis como renda e jornada, mas também questões subjetivas. Existe uma vasta literatura que relaciona a satisfação no trabalho, normalmente mensurada com indicadores subjetivos de avaliação das condições do trabalho, com as características sócio-econômicas dos indivíduos (Clark, 1997; Kaiser,2002; Clark e Oswald, 1996, etc). Especificamente com relação ao gênero, os artigos mostram que as mulheres possuem níveis mais altos de satisfação no trabalho do que os homens. No caso brasileiro, não há literatura específica sobre o tema. Este artigo tem como objetivo, usando dados da Pesquisa Mensal do Emprego (PME/IBGE) de 2003 a 2006, traçar um perfil dos trabalhadores e trabalhadoras nãosatisfeitos com sua ocupação. Através desta análise, é possível identificar os principais fatores que podem estar contribuindo para o aumento da rotatividade no mercado de trabalho e para a maior vulnerabilidade destes trabalhadores ao desemprego ou à inserção de forma autônoma na atividade econômica. Embora a satisfação no trabalho seja uma medida subjetiva, utilizaremos como proxy uma variável...
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