Ciencia politica

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  • Publicado : 21 de novembro de 2012
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O SENSO COMUM E A CIÊNCIA (I)
A ciência nada mais é que o senso comum refinado e disciplinado Gunnar Myrdal
Qual seria mesmo a diferença entre senso comum e ciência?
Rubem Alves questiona a imagem mental que temos quando pensamos em um cientista, logo me veio à cabeça: aquele homem de jaleco ao lado de um microscópio analisando células. O autor aborda a questão da confiabilidade que essaimagem nos representa, neste sentido, se explica a questão da mídia que não é nada ingênua ao optar por utilizar de cientistas para divulgarem produtos de consumo, cigarros, remédios e etc.
Ele fala sobre o mito que o cientista se tornou, mito porque induz comportamentos e inibe questionamentos e pensamento em analogia ao momento que os Deuses se manifestavam através dos Reis, sacerdotes, poetas e quenada tinha a população que questionar, era um mito, um dogma a ser seguido. Assim são os cientistas, eles mandam e nós obedecemos, porque o pressuposto é de que eles têm o saber, a palavra divina, têm o pensar. Perceber que a ciência apresenta um tom conotativo de mito, ela, que sempre buscou ser a negação dessa forma de construir conhecimento, é bastante interessante. O autor fala em acabar comum mito, o mito de achar que o cientista sabe das coisas, como se uma pessoa que sabe pregar pregos obrigatoriamente também saiba a melhor disposição para pendurar quadros ou como ficariam melhores na parede.
O autor aborda a questão do especialista, como o pianista que é músico e nem por isso sabe tocar violão, fazendo analogia com o cientista, ele é um especialista, mas o autor extrapola, dizque o cientista é um pianista especializado em Trinados (em uma técnica só), não saberia tocar uma música. Achei bem interessante, limitou ainda mais o papel do cientista e do seu fazer no mundo.
Concordo com o autor quando afirma: a tendência da especialização é conhecer cada vez mais de cada vez menos. A crítica que me chamou atenção foi a que no início pensava-se que as especializaçõesproduziriam, milagrosamente, uma sinfonia. Na verdade isso não se concretizou, os cientistas de forma alguma sabem se unir com outros de outras áreas para fazer uma orquestra, são surdos para o que os outros estão tocando, não sabem convergir, mas divergir, não confluem, isso me lembra a formação da estrutura do ensino e das especializações em que o conhecimento de uma área não ajuda na outra. Entre umaárea e outra há um abismo tão grande de quase impossível trespasse. A especialização não poderia ser vista como um novo órgão mas como uma melhoria do órgão que já temos, segundo Rubem Alves: Ela é a hipertrofia da capacidade que todos têm. Seria inútil portanto um instrumento que ampliasse um sentido que não temos (microscópio para cego). Essa visão desmistifica o mito do especialista, do rei, doDeus, portador de algo que ninguém tem, e não, de um desenvolvimento de algo que todos possuem.
Em continuação, Rubem Alves parte para a questão da aprendizagem da ciência como um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum, parte-se do senso comum que o aprendiz dispõe. Nesse diapasão ele confirma que a ciência como especialização é desenvolvimento de órgãos, parte-se de um a priori,se eu quero aprender música, parte-se do pressuposto que tenho dedos para tocar o violão, força e coordenação motora, uns mais, outros menos, daí as idiossincrasias.
Interessante saber que o que foi considerado ciência outrora é motivo de riso hoje, bem como, o que hoje é considerado ciência, pode ter o mesmo fim no futuro. Rubem Alves exemplifica com Francis Bacon que afirmou que nos céus, háduas estrelas favoráveis, duas desfavoráveis, dois luminares e Mercúrio, indeciso e indiferente, fez essa afirmação em analogia ao microcosmo do corpo humano que possui duas narinas, dois olhos, dois ouvidos e uma boca. Isso parece muito mais crença do senso comum do que qualquer outra coisa, no entanto, foi considerado ciência em uma época. Outra coisa, a sociedade insiste em acreditar em magia,...
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