Cidades

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  • Publicado : 13 de setembro de 2011
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1. INTRODUÇÃO

O filósofo e antropólogo Olivier Mongin, em A Condição Urbana – A cidade na era da globalização alerta para a o crescimento desordenado das cidades e a necessidade de uma "cultura urbana dos limites". Em seu livro, ele defende que urbanização não é sinônimo de cidade e que a experiência de um lugar passa necessariamente por uma antropologia do próprio corpo. Nesse sentido,faz coro com Certeau (1982, p. 80), que afirma que “cada sociedade tem seu corpo, assim como ela tem sua língua”.

Não que, no livro, o autor pretenda configurar um modelo padrão de cidade, já que seria totalmente utópico. Mas Mongin acredita que seja imprescindível um modelo de organização territorial que,de forma estratégica, racionalize a distribuição e gestão de meios e recursosfinanceiros, técnicos e organizacionais, e estimule sinergias.

O livro, dividido em três partes, trata na primeira do tipo ideal da cidade, e a identifica como uma cena viva, fala ainda da experiência corporal da cidade e seus antagonismos e paradoxos, assim como da experiência pública da cidade, onde cita teóricos Dreixer e Bellow. Valoriza também o conceito de polis, construindo uma análisesobre o que se denomina, hoje, de cidade-refúgio. O urbanismo é comentado no quinto capítulo, falando da dinâmica de privatização e separação, genealogias do urbanismo, terminando por analisar a ivnersão da relação entre os lugares e os fluxos.

Na parte 2 do livro, Mongin dedica-se ao que chama de pós-cidade, as metamorfoses do urbano, numa inter-relação com a pós-modernidade e suasculturas. A obra repensa as ambigüidade do urbano, coloca a globalização já em sua terceira dimensões, fala da generalização urbana sem limites, que leva ao caos, da explosão das metrópoles, e centra fogo na questão da segurança.

Na terceira parte, teoriza sobre a necessidade do retorno que o ser humano vem buscando, do global ao local. As cidades virtuais, segundo o autor, podem ser esselocal ideal, no que tange aos desejos, mas que demonstra intrinsicamente a necessidade de limites na cultura urbana, o “ter lugar para ser”. Faz ainda, uma curiosa análise da recriação das comunidades políticas, defendendo a tese que hoje, anos-luz da luta de classes, estamos nos embrenhando numa luta de lugares. Magnaghi, em um capítulo importante, fala da utopia urbano como enredo coletivo, ou seja,fala dos desejos internos da população, desejos no momento utópicos. Secchi termina com os movimentos periféricos, a urbis renovada.

Para Mongin, o ser humano está hoje no meio de uma cidade e seus conflitos, entre a realidade e os sonhos, entre o caos e o princípio.

2. A OBRA

A trajetória das cidades ao longo da História revela-se, afinal, um resultado e uma fonte deinovações radicais e incrementais que foram desenhando os diferentes perfis de cada cidade no espaço e no tempo.

Avaliar, hoje, a ligação entre inovação e cidade ganha muito em beber nas fontes da história, para melhor entender até que ponto a cidade se muda pela inovação (ou se adapta a ela, alegre ou dolorosamente) ou é, ela própria, um centro de criação e difusão da inovação.Conhecer como se formou a cidade e como se foi modificando, estudando as explicações controversas sobre os fundamentos da cidade atual revela-se de grande fecundidade para o estudo pretendido.

A concepção de novos espaços urbanos dentro da aldeia global em que estamos inseridos hoje vem sendo discutida cada vez mais, principalmente, entre especialistas do meio arquitetônico e urbanístico. Agrande questão em debate é como acomodar os grandes centros urbanos diante do crescimento desenfreado da globalização. O desafio é melhorar a qualidade de vida da população diante do acelerado crescimento econômico. Segundo levantamento, no ano de 2050, ou seja, daqui a 40 anos, cerca de 70% das cidades estarão urbanizadas. Como planejar os espaços urbanos levando em consideração a singularidade...
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