Cidade antiga

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LIVRO QUARTO
AS REVOLUÇÕES

CAPÍTULO I
PATRÍCIOS E CLIENTES
A cidade antiga, como toda sociedade humana, apresentava classes, distinções, desigualdades. Conhecemos em Atenas a distinção inicial entre eupátridas e tetas; em Esparta encontramos a classe dos iguais e a dos inferiores; na Eubéia, a dos cavaleiros e a do povo. A história de Roma é fértil de lutas entre patrícios e plebeus, lutas queencontramos também em todas as cidades sabinas, latinas e etruscas. Podemos até notar que quanto mais nos aprofundamos na história da Grécia e da Itália, mais se torna evidente a distinção profunda entre classes fortemente separadas, prova evidente de que a desigualdade não apareceu com o tempo, mas que existiu desde a origem.
Poderemos ver mais facilmente de que idéias ou de que necessidades selutava, o que reclamavam as classes inferiores, e em nome de quais princípios as classes superiores defenderão seu império.
Antes do dia em que a cidade se formou, a família já continha em si essa distinção de classes no lar. O filho mais velho, sucedendo sozinho ao pai, tomava em suas mãos o sacerdócio, a propriedade, a autoridade, e seus irmãos comportavam-se a seu respeito como o haviam feitoem relação ao pai, portanto, na constituição íntima da família, um primeiro princípio de desigualdade. O mais velho é privilegiado para o culto, para a sucessão, para o poder. Depois de várias gerações, forma-se em cada uma das grandes famílias, ramos mais novos, que estão, pela religião e pelo costume, em estado de inferioridade em relação ao ramo mais velho, e que, vivendo sob sua proteção, devemobediência à sua autoridade.
A distinção entre essas duas classes é manifestada no que refere aos interesses materiais. A propriedade da família pertence inteiramente ao chefe, que, aliás, partilha seu gozo com os ramos mais novos, e até com os clientes. Mas enquanto o ramo mais novo tem pelo menos um direito eventual sobre a propriedade, caso o ramo mais velho venha a se extinguir, o clientenunca se pode tornar proprietário. A terra que cultiva, ele a possui apenas como depósito; se morrer, volta às mãos do patrono. O próprio dinheiro do cliente não lhe pertence.
A distinção é ainda mais manifesta na religião. Somente o descendente de um pater pode celebrar as cerimônias do culto familiar. O cliente apenas assiste. Se a família vier a se extinguir, os clientes não continuam o culto;dispersam-se,
Depois quando a cidade se formou, a constituição interior da família nada sofreu. Os chefes desses pequenos grupos uniam-se entre si, mas cada um deles continuava senhor absoluto da pequena sociedade da qual já era chefe.
A cidade, nos primeiros tempos, não é lugar para morar, mas santuário onde residem os deuses da comunidade; é a fortaleza que os defende, e que sua presençasantifica; é o centro da associação, a residência do rei e dos sacerdotes, o lugar onde se administra justiça, e não a morada dos homens.
CAPÍTULO II
OS PLEBEUS
Os plebeus não eram clientes; “A plebe saiu de Roma, e retirou-se para o monte Sagrado; os patrícios ficaram sozinhos na cidade, juntamente com seus clientes.
Sobre a formação dessa plebe, temos o direito de supor que se compunha, em grandeparte, das antigas populações conquistadas e subjugadas.
Notamos várias causas que provocaram a formação de uma classe inferior. A religião doméstica não se propagava; nascida em uma família, aí continuava; era necessário que cada família criasse sua crença, seus deuses, seu culto. Somente por isso essas famílias ficaram em estado de inferioridade em relação às que tinham religião, e não puderamformar sociedade com elas. Pode também ter acontecido que certas famílias perdessem o culto doméstico. Aconteceu enfim, que clientes que sempre seguiram o culto dos patronos, foram expulsos das famílias às quais estavam ligados. Isso equivalia a renunciar à religião. Acrescentemos ainda que o filho nascido de casamento civil era considerado bastardo, como o nascido de adultério, e a religião...
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