Ciclo do acucar

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O Ciclo do Açúcar no Brasil   
Autor: Prof. Marcelo Roque da Silva 
  A produção de açúcar em terras brasileiras foi a forma encontrada por Portugal para, ao mesmo  tempo em que atingia o objetivo de povoar (colonizar) o Brasil para, assim, reduzir os riscos de  perder  sua  colônia  para  outras  potências  européias  da  época,  também  implantar  aqui  uma atividade econômica de grande porte que lhe rendesse altos lucros no comércio internacional.  Portugal conseguiu atingir os dois objetivos, vejamos como.    A  fundação,  por  Martim  Afonso  de  Souza,  de  um  engenho  de  razoáveis  proporções  em  São  Vicente, no ano de 1534 marca o início da produção em grande escala no Brasil (depois viriam o ouro e o café). Porém, a região nordeste oferecia melhores condições climáticas e de solo que a  região  sudeste  e,  apesar  de  a  planta  ter  sido  cultivada  em  todas  as  capitanias  hereditárias  brasileiras, foram nos atuais estados de Pernambuco e da Bahia que a produção passou a feita  em  larga  escala,  isso  a  partir  de  meados  do  século  XVI.  Pernambuco  ganhou  seu  primeiro  engenho  em  1539  e  a  Bahia  em  1546.  As  mudas  vieram  das  ilhas  da  Madeira  e  de  São Tomé,  possessões portuguesas na costa da África. A indústria açucareira crescia muito, e rapidamente.  Em  1560  havia  no  Brasil  cerca  de  57  engenhos  (20  em  Pernambuco  e  18  na  Bahia),  além  de  outros tantos em construção.    A implantação da indústria foi facilitada pela experiência (inclusive, e talvez principalmente, no campo comercial) acumulada por Portugal nas suas ilhas do Atlântico – Madeira e São Tomé –  durante  o  século  XV,  e  no  início  foi  apoiada  por  comerciantes  genoveses  e  venezianos,  que  monopolizavam  o  comércio  do  bem,  e  seu  refino.  Com  o  aumento  da  produção,  os  canais  de  comércio italianos não foram suficientes e seu monopólio foi quebrado, Portugal passa, então a se aliar à Holanda, o que possibilitou a efetiva implantação da indústria açucareira no Brasil. Os  holandeses  participaram  desta  através  de  sua  ampla  experiência  comercial,  financiando  a  construção de engenhos, o refino do bem, e até a importação de escravos.    Um  engenho  de  açúcar  brasileiro  era,  na  realidade,  uma  fazenda  de  grandes  dimensões  cujo  centro  era  o  engenho  propriamente  dito.  Cada  engenho  era  uma  unidade  autônoma,  que produzia  no  interior  de  seu  território  praticamente  tudo  aquilo  de  que  necessitava,  possuindo  desde capela e escola até serrarias para construção de móveis e aparatos para a indústria. Era  gerido  por  um  senhor  de  engenho,  auxiliado  por  um  pequeno  grupo  de  homens  livre  e  assalariados, que controlavam um grande número de escravos.    Uma propriedade de tamanho médio trabalhava com cerca de 80 a 100 escravos. Nelas, além do  açúcar,  eram  plantadas  culturas  de  subsistência,  e  produzia‐se  um  subproduto  da  cana,  a  aguardente,  que  era  utilizada  como  moeda  na  troca  por  escravos  na  África.  O  aumento  da  produção se baseou na extensão de terra cultivada e do número de escravos, e não no aumento  da produtividade.    Portugal,  como  nação,  não possuía  abundância  de  mão‐de‐obra,  pelo  contrário,  aliás;  e  a  empreitada açucareira era muito ambiciosa em termos de volume produzido, o que demandaria 

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um número enorme de trabalhadores. Ambos os fatores levaram à necessidade da utilização de  mão‐de‐obra escrava, que ainda oferecia a vantagem do custo muito baixo.    A  maior  parte  dos  lucros  obtidos  com  a  atividade açucareira  ficavam  com  sua  parte  comercial  (Portugal  e  outros  países,  principalmente  Holanda).  Os  recursos  que  permaneciam  na  colônia  eram poucos, e terminavam sendo enviados à Europa por conta de importações (muito caras) de  produtos  como  manufaturas,  vinho,  sal,  azeite;  dos  juros  pagos  aos  holandeses  por  seus ...
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