Cesário verde

Páginas: 19 (4712 palavras) Publicado: 6 de junho de 2011
Cesário Verde
Exploração dos poemas “Manias!”, “Ó áridas Messalinas” e “Flores Velhas”





CESÁRIO VERDE
Poeta: 1855 – 1886
Fernando Correia da Silva



QUANDO TUDO ACONTECEU...
1855: A 23 de Fevereiro, num prédio da Rua da Padaria (junto à Sé de Lisboa), nasce José Joaquim CESÁRIO VERDE, filho de Maria da Piedade dos Santos Verde e de José Anastácio Verde. – 1857: Peste emLisboa; a família Verde refugia-se na sua quinta de Linda-a-Pastora. – 1865: Os Verde passam a morar na Rua do Salitre (Lisboa). Cesário conclui a instrução primária e começa a estudar inglês e francês. – 1872: Cesário começa a trabalhar na loja de ferragens do pai, na Rua dos Fanqueiros. Com 19 anos, tuberculosa, morre Maria Julia, irmã de Cesário. – 1873: Cesário matricula-se no Curso Superiorde Letras, onde conhece e se torna grande amigo do escritor Silva Pinto. Publica os seus primeiros poemas no Diário de Notícias. – 1874: Publica mais poemas no Diário de Notícias (Lisboa) e nos jornais do Porto Diário da Tarde e A Tribuna. Ramalho Ortigão crava-lhe uma Farpa a propósito do poema Esplêndida. Boémia revolucionária no “Martinho”. – 1875: Cesário conhece e faz amizade com MacedoPapança (futuro conde de Monsaraz). Continua a publicar poemas no Mosaico (Coimbra), n’A Tribuna e n’O Porto. Começa a dirigir a loja da Rua dos Fanqueiros e a quinta de Linda-a-Pastora. – 1876: Desenvolve negócios. Frequenta a casa de Papança, na Travessa da Assunção, onde se cruza com Guerra Junqueiro, Gomes Leal e João de Deus. Os Verde mudam-se para a Rua das Trinas. – 1877: Volta a colaborar noDiário de Notícias. Queixa-se dos primeiros sintomas de tuberculose. – 1878: Passa a viver em Linda-a-Pastora. Nos jornais publica Noitada, Manhãs Brumosas, Em Petiz. – 1879: Publica Cristalizações no primeiro número da Revista de Coimbra. É atacado pela republicana Angelina Vidal n’A Tribuna do Povo e pelo monárquico Diário Ilustrado. – 1880: Publica O Sentimento dum Ocidental no número doJornal de Viagens (Porto) dedicado ao tricentenário de Camões. Os Verde exportam maçãs para Inglaterra, Alemanha e Brasil. – 1881: Cesário participa no “Grupo do Leão” e convive com Abel Botelho, Alberto de Oliveira, Fialho de Almeida, Gualdino Gomes e com os pintores José Malhoa, Silva Porto, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro. – 1882: Morre, tuberculoso, Joaquim Tomás, irmão de Cesário. – 1883:Cesário viaja para França, numa tentativa malograda de exportar vinhos portugueses. – 1884: Publica Nós. Deixa de frequentar os meios literários. Activa negócios, produz, compra e exporta frutas. Recolhe-se a Linda-a-Pastora. – 1885: Agrava-se o seu estado de saúde mas regressa a Lisboa e continua a trabalhar na loja da Rua dos Fanqueiros. – 1886: Extremamente doente, instala-se em Caneças. Vaidepois para casa de um amigo, no Lumiar (às portas de Lisboa), onde vem a morrer a 19 de Julho. – 1887: Silva Pinto edita O Livro de Cesário Verde.

O CANCRO E A LARANJA (OU TALVEZ LIMÃO)

Releio Malraux. Quando Perkens, uma das suas personagens, compara o tempo a um cancro, recordo os versos de Cesário Verde escritos em 1874:
(...)
Vai-nos minando o tempo - ocancro enorme
Que te há-de corromper o corpo de vestal.
(...)
Coincidência?
Pouso o livro, pego noutro. Folheio Las Uvas y el Viento de Pablo Neruda, editado em 1954. No poema Lámpara Marina, diz o chileno:
Cuando tú desembarcas
en Lisboa
(...)
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanassalpicadas del oro limonero.
(...)
E então lembro-me dos versos de Cesário escritos em 1879:
(...)
E o sol estende, pelas frontarias,
Seus raios de laranja destilada.
(...)
Coincidência, ao repetir-se, deixa de o ser. Mastigo a dedução e é quanto basta para saltar para a segunda metade do século XIX em busca do realista, do...
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