Certeau, michel de. a escrita da história. in a operação historiográfica

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FICHAMENTO
CERTEAU, Michel de. A escrita da história. In A operação historiográfica. RJ: Forense Universitária, 1982, pp. 78-93.

• UMA PRÁTICA

O autor inicia o tópico discorrendo acerca da prática de se “fazer história”, e esse termo remete à discussão em tópicos anteriores, onde discutimos além de outras coisas sobre a responsabilidade do autor na produção de textos historiográficos e nãona reconstrução ou tentativa de retratar a história em sua totalidade.
Durante muito tempo tentou-se apagar da produção histórica os indícios de seu autor, e nessa lógica colocava a história na antiga lógica durkheiniana, de uma ciência meramente auxiliar. Mas com a mudança e apuramento de suas técnicas de produção foi se tornando possível à história “navegar com suas próprias velas”, e o autordiscorre acerca dessa mudança, ou da opção que é feita pelo produtor.
“[...] uma arte de discorrer que apagaria, pudicamente, vestígios de um trabalho. Na verdade existe aí uma opção decisiva. O lugar que se dá a técnica coloca a história do lado da literatura ou da ciência.”.
Ele corrobora ainda com a idéia de sujeito não-passivo, em relação ao autor e suas técnicas, pois esses dois aparecemagora juntos e visíveis, não mais oculto o autor por uma falsa insignificância que lhe atribuíam em relação à história.
“Se é verdade que a organização da história é relativa a um lugar e a um tempo, isto ocorre, inicialmente, por causa de suas técnicas de produção. [...] É nessa fronteira mutável, entre o dado e o criado, e finalmente entre a natureza e a cultura, que ocorre a pesquisa. [...]Este imenso canteiro de obras opera uma “renovação [da natureza], provocada pela nossa intervenção”. Ele “liga diferentemente a humanidade e a matéria”. ”

Quando o autor fala de “renovação, é porque os dados, submetidos ao crivo do historiador, modificam-se em outras perspectivas.
O autor faz ainda referência à desconstrução da dicotomia entre natural e social, mostrando que esses dois sãointrínsecos, pois um se torna fruto do outro. “De resíduos, de papéis, de legumes, até mesmo de geleiras e das “neves eternas”, o historiador faz outra coisa: faz deles a história. ”
O Autor volta nesse tópico ainda a discorrer sobre o procedimento historiográfico, em como o historiador não deve ser passivo ao que lhe surge, e sobre a articulação entre natureza e cultura. Mais uma vez fala sobreo dever de quem pratica a produção de textos historiográficos como um fabricante, que como cientista transforma o “meio”, de acordo com seus métodos científicos e de organização. Sobre a transformação ele diz que “Em história, ela instaura um “governo da natureza”, de uma forma que concerne à relação do presente com o passado – não sendo este um “dado”, mas um produto . “
O autor inicia suadiscussão acerca do estabelecimento das fontes, e fala sobre sua organização, que dependendo da ordem estabelecida, em uma ordem já antes proposta, tomam uma forma coerente, e isso por si só já é um indício incontestável da presença de uma operação técnica, já que mesmo com o surgimento de coleções, arquivos e bibliotecas, um documento só se torna fonte a partir do olhar e manipulação técnicaespecializada, ou seja, da mão e olhos do historiador.
“Não se trata apenas de fazer falar estes” imensos setores adormecidos da documentação” e dar voz a um silêncio, ou efetividade a um possível. Significa transformar alguma coisa, que tinha sua posição e seu papel, em alguma outra coisa que funciona diferentemente. [...] Um trabalho é “científico” quando opera uma redistribuição do espaço e consiste,primordialmente, em se dar um lugar, pelo “estabelecimento de fontes” – quer dizer, por uma ação instauradora e por técnicas transformadoras. ”
O autor faz ainda uma espécie de crítica ao uso de computadores na tentativa de se achar modelos compatíveis para análise, mas ao mesmo tempo na página anterior , estabelece como prática o uso da construção de modelos significativos de relação entre...
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