Cce da amazonia

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As Empresas CCE e a Regionalização da Produção

AS EMPRESAS CCE E A REGIONALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO
Marcílio Junqueira* INTRODUÇÃO Trabalho no grupo CCE, em Manaus, há 26 anos. No decorrer deste período pude acompanhar interessante experiência de implantação e crescimento de várias indústrias pertencentes ao grupo. O caso tem algumas características peculiares, sendo que a primeira delas se refereao local: Pólo Industrial de Manaus, criado por volta de 1970, três anos após a edição do decreto-lei 288, que criou a Zona Franca de Manaus em sua atual feição. Os principais incentivos a atrair as indústrias eram (e ainda são) a isenção do IPI e a redução do Imposto de Importação. Desde o início, foi uma guerra. Fabricantes do Sudeste, em especial São Paulo, sentiram-se prejudicados. Osfabricantes nacionais de componentes de produtos eletroeletrônicos, os primeiros a deslanchar no Pólo de Manaus, gritaram contra a possível substituição dos seus produtos por sucedâneos importados. Mas apenas as primeiras indústrias haviam chegado quando o governo federal, premido pela crise do petróleo de 1973, estabeleceu índices de nacionalização mínimos a serem cumpridos por quem quisesse usufruir osincentivos. A fabricação de componentes em Manaus era, então, uma espécie de objetivo ideal, mas quase utópico. Como - (e por quê?) - implantar indústria de componentes num pólo industrial criticado justamente pela superficialidade das operações de montagem, pela prevalência do uso de insumos importados, pela existência de galpões préfabricados, enfim, por uma indústria que parecia mais disposta ase aproveitar de janela para o exterior, num País fechado em termos de comércio, do que, efetivamente, em criar raízes? Portanto, não foi sem surpresa que acompanhei as decisões da direção da CCE em implantar a

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T&C Amazônia, Ano II, Número 5, Agosto de 2004

As Empresas CCE e a Regionalização da Produção

primeira fábrica de componentes em Manaus, o que ocorreu por volta de 1982. Éque tais decisões afrontavam todo o quadro de desconfiança que havia em torno da continuidade do pólo industrial aqui instalado. Acreditava-se que, a qualquer momento, uma “canetada” pudesse desmontar os incentivos, situação de incerteza altamente inibidora de investimentos mais expressivos. Mas as decisões foram tomadas, e acabaram por conformar mais uma peculiaridade de minha experiência comodirigente de indústria: lidar, permanentemente, com um processo de verticalização de atividades que diferenciava o grupo CCE dos demais que vieram para a Zona Franca de Manaus. Outro ponto a destacar é a natureza do grupo. Eu não poderia descrever o ambiente de uma empresa multinacional porque, simplesmente, nunca trabalhei em uma. Minha experiência se deu dentro de empresa nacional, dirigida porempreendedor corajoso (o leitor julgará por alguns números que serão colocados à frente), atuando frente a fortes concorrentes, em geral empresas de âmbito planetário, donas de marcas extremamente conhecidas. Este empreendedor, o Sr. Isaac Sverner, presidente das empresas do grupo, escolheu o que é aparentemente o caminho mais difícil: recusou-se a fazer alguma joint venture com poderoso fabricanteestrangeiro, a adotar marca conhecida em detrimento da que havia criado, a importar kits. Neste sentido, passou a fazer parte do reduzido número de empresas brasileiras capazes de resistir ao avanço das concorrentes multinacionais. Hoje, quando analistas econômicos e financeiros visitam as instalações do grupo CCE em Manaus, costumam se surpreender com a dimensão das fábricas. E não sem sentidocrítico, talvez duvidando do acerto das escolhas feitas, perguntam qual é a estratégia por trás de tanto investimento na distante Manaus. Estaria o grupo CCE certo ao cercar sua montadora de fábricas de componentes verticalizadas? Antes de tentar responder a esta pergunta,

vejamos como o grupo evoluiu em sua atividade industrial nestes 30 anos de Manaus e talvez seja melhor que os resultados...
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