Caso dora - freud

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  • Publicado : 15 de dezembro de 2012
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Sintoma, Sonho e Transferência no Caso Dora
A clínica psicanalítica propõe, em um plano discursivo, emergir o conflito inconsciente apresentando outra resolução para este. Dispondo das livres associações e das interpretações de sonhos como instrumento, o analista tem como função a escuta, a identificação das resistências (para, assim, poder ultrapassá-las) e a manutenção do trabalho deanálise. Em o caso Dora, Freud depara-se com uma paciente que abandona a análise sem comunicar o analista, o que o fez refletir sobre as possíveis causas disso que podemos considerar um sintoma.
Sintoma, de acordo com Freud (1989), “significa a representação – a realização – de uma fantasia de conteúdo sexual, isto é, uma situação sexual. Melhor dizendo, pelo menos um dos significados de um sintomacorresponde à representação de uma fantasia sexual, enquanto para os outros significados não se impõe tal limitação do conteúdo”. (p. 50) “Os fenômenos patológicos são, dito de maneira franca, a atividade sexual do doente”. (p. 110)
Referente aos sintomas apresentados por Dora durante o trabalho clínico, Freud destaca que estes são três:
1) A repugnância;
2) Sensação de pressão na partesuperior do corpo;
3) Evitação dos homens em conversa afetuosa.
Todos os três sintomas destacados possuem origem na mesma experiência em que o Sr. K beija Dora, contra a vontade da garota, fazendo-a sentir tanto o beijo como também a pressão exercida pelo órgão sexual ereto. O primeiro dos sintomas acima destacados refere-se ao recalque de uma zona erógena – os lábios. O segundo está ligado aodeslocamento da pressão do órgão sexual ereto do Sr. K para esta parte superior do peito. E, finalmente, a evitação dos homens em conversa afetuosa refere-se a um mecanismo de fobia, protegendo-a de um reavivamento da experiência que fora recalcada.
Outra importante temática abordada por Dora, durante o período de análise com Freud, foi referente a dois sonhos. Os sonhos, a partir de umaperspectiva psicanalítica, são restos diurnos, onde são expressos conteúdos latentes do inconsciente, tornando-se manifestos, perpassados pelo trabalho onírico – condensação, deslocamento, figurabilidade. A partir dos sonhos possibilita-se reorganização, transições e transformações psíquicas.
De acordo com Freud (1989), “todo sonho tem um sentido possível de ser descoberto mediante um certo processode interpretação. Uma vez completa a interpretação, poder-se-ia substituir o sonho por pensamentos que se enquadrariam na vida anímica de vigília num ponto facilmente reconhecível”. (p. 69) Para esta possível interpretação, Freud parte do pressuposto que “um sonho de formação regular apoia-se, por assim dizer, em duas pernas, uma das quais está em contato com a causa atual essencial, e a outra,com algum acontecimento relevante da infância. Entre esses dois fatores (...), o sonho estabelece uma ligação esforçando-se por remodelar o presente segundo o modelo do passado mais remoto”. (p.72)
O primeiro sonho relatado por Dora que, segundo ela mesmo, era recorrente, dizia respeito a uma casa que estava sendo incendiada. O pai de Dora a acorda, vestindo-a rapidamente. A mãe de Dora ocupa-seem salvar sua caixa de joias. Porém, o pai de Dora, para salvar os filhos, sai às pressas. Assim que Dora está do lado de fora da casa, ela desperta do sonho.
Tendo esse sonho ocorrido quando Dora encontrava-se em casa do Sr. K e logo após o incidente do lago, Freud interpretou que a causa atual essencial do sonho seria referente a uma fuga da casa do Sr. K, já que ela se sentia incomoda coma perseguição que este fazia a ela. O modo como o pai surge no sonho, ao lado da cama, acordando-a, remete diretamente ao Sr. K, que certo dia a observava dormindo. Outro fato que também evidência essa interpretação é que o sonho deixou de ser recorrente quando, passadas 4 noites desde o incidente do lago, Dora deixa a casa do Sr. K., da mesma forma que ela despertava do sonho ao sair da casa...
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