Carlos v

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Do Concílio de Trento à abdicação

Carlos enfrentava a questão de conceder ou não liberdade de ação aos príncipes protestantes da Alemanha aos quais, pressionado pela guerra, fizera concessões, sobretudo na Dieta de Speyer em 1544. Até então, tinha deixado os acontecimentos evoluírem, assim como seu irmão Fernando. O poder dos príncipes, aumentando sempre, já era firme. Na ausência doImperador, tinham suprimido sozinhos perturbações que teriam levado o país à guerra civil, primeiro a Liga dos Cavaleiros, depois a Guerra dos Camponeses, as desordens do clero luterano, depois a rebelião dos anabatistas. Ao apoiar Lutero contra Carlos, asseguravam-se o meio de manter o poder. Carlos decidiu combatê-los. Para retirar o apoio religioso, esperava pela abertura do Concílio de Trento, em 1545.Abriu as hostilidades no verão de 1546. Conquistou o sul da Alemanha, entrou por Saxe, derrotou e capturou seu Eleitor em Muhlberg, em 24 de abril de 1547. Aprisionou Filipe de Hesse, mas não por traição, como foi difundido. Acreditava que deveria humilhar os príncipes de modo a poder reorganizar o império com seu auxílio, numa Dieta em Augsburg, como já reorganizara os Países Baixos e aEspanha.
A solução das dificuldades religiosas devia ser a base da reconstrução. O concílio deveria ter a palavra final sobre assuntos de doutrina mas até que sua decisão fosse tomada, o imperador desejava a paz e faria concessões aos protestantes. Entretanto, seu sentido de justiça impedia que tais concessões abrangessem a retenção das propriedades eclesiásticas tomadas pelos Reformados e a abdoragãotemporária da autoridade episcopal. Assim sendo, não entusiasmou os príncipes evangélicos.
Para a reconstrução política do Império, Carlos reconheceria a condição da Alemanha, mas apenas como resultado de evolução histórica. Exigiu dos feudatários obediência ao poder imperial em casos que afetassem o bem estar geral, reconhecendo determinadas fórmulas, sem buscar lucro individual a pretexto do bemdo Império. As concessões seriam semelhantes às que fizera a seus súditos espanhóis: um certo grau de autonomia em muitos Estados, em troca de ajuda para necessidades inquestionáveis do Império. O resultado foi nulo. Os católicos exigiram que as medidas se aplicassem também a eles, os protestantes continuavam a resistir. Adiaram até que as condições pioraram para o imperador.
Carlos, nessaaltura, resolveu fazer seu testamento.
Em 1551, os turcos e o filho de Francisco I, Henrique II, novo rei francês, abriram novas hostilidades. No ano seguinte alguns príncipes protestantes alemães, chefiados por Maurício de Saxe, atacaram inesperadamente o exército imperial. Enquanto Carlos estava doente em Innsbruck, Henrique II ocupou os bispados de Metz, Toul e Verdun. Carlos abandonou seu plano dareorganização do governo imperial. Deu plenos poderes ao irmão, Fernando, para assinar com os revoltosos o Tratado de Passau em abril de 1552, pelo qual finalmente os príncipes tomaram papel preponderante no Império alemão. Falhou sua tentativa de recuperar Metz, no outono de 1552, e a guerra se transferiu aos Países Baixos, onde permaneceu indecisa.
A situação se tornou crítica na África doNorte e na Itália, onde os turcos, os franceses e alguns Estados italianos atacavam o imperador. Carlos ainda esperava uma vitória decisiva. A subida ao trono inglês em 1553 de Maria Tudor, rainha católica, dava esperanças. Estava comprometida com seu filho o Infante Filipe, casamento que se realizou em 1554 apesar do parentesco e da diferença de idade. Quando o casamento não produziu frutos, Carlosdecidiu entregar a conclusão da paz a Filipe e a Fernando.
Seu irmão insistia em que a autoridade dos príncipes no Império, decidida desde Passau, deveria ser legalmente confirmada por um decreto da Dieta, e aceitada a igualdade de católicos e protestantes, o que foi feito em Augsburgo, em 1555. Reuniu os Estados Gerais dos Países Baixos em Bruxelas e, diante deles, em 25 de outubro de 1555...
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