Carboxiterapia

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  • Publicado : 13 de maio de 2013
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EDITORIAL
Carboxiterapia: buscando evidência para aplicação em cirurgia plástica e dermatologia
Existe hoje forte tendência de a prática clínica reafirmar seu compromisso com a medicina científica. Isso não significa dissociar pesquisa e experiência. Pelo contrário: é reconhecer que ambas fazem parte de um processo sistemático e contínuo de autoaprendizado e autoavaliação, sem o qual ascondutas se tornam desatualizadas e não-racionais 1. Cotidianamente, o profissional defronta-se com a tarefa de decidir quais os tratamentos que funcionam (e, na estética, é preciso destacar que inúmeras “opções promissoras” surgem a cada dia). Tradicionalmente, tais decisões têm se baseado em princípios fisiopatológicos e de raciocínio lógico, observação pessoal e intuição, que, em conjunto, constituemo que se convencionou chamar de “experiência do clínico”1. Se um tratamento parece funcionar, é repetido. Se seus resultados são desapontadores, o tratamento é abandonado. No entanto, essa avaliação é totalmente imprevisível, pois se desconhecem quais os fatores que contribuíram para o sucesso e quais os que determinaram a falha terapêutica 2. A busca de evidências orientadoras de condutasconstitui um movimento do qual um dos pioneiros foi David L. Sackett, que, a partir de 1992, tem se preocupado em difundir uma nova forma de atuar e ensinar a prática médica. Sackett conceitua essa ideia como “o uso consciente, explícito e judicioso da melhor evidência disponível para a tomada de decisão sobre o cuidado de pacientes individuais”3. Decisões mais científicas e eficientes, baseadas emmétodos de avaliação mais vigorosos, têm por objetivo otimizar benefícios e minimizar riscos e custos 2. Esses conceitos se tornam fundamentais se o médico quiser analisar criteriosamente se o que há de mais novo ou mais avançado é, de fato, o melhor para seu paciente 4. O uso medicinal do dióxido de carbono (CO2) não é novo. Em 1932, na Estação Termal do Spy de Royat, na França, o CO2 foi utilizado emportadores de arteriopatias periféricas. Os pacientes eram submetidos a banhos secos ou de imersão em água carbonada5. Em 1953, após 20 anos de experiência, o cardiologista Jean Baptiste Romuef publicou os resultados do uso terapêutico por via subcutânea5. O tema permaneceu por quatro décadas no esquecimento, sendo retomado nas décadas de 1980 e 1990, com alguns trabalhos direcionados para acirurgia vascular. Paralelamente à ação terapêutica, o CO2 é comumente utilizado para insuflação da cavidade abdominal nas videolaparoscopias, histeroscopias e como contraste em arteriografias e ventriculopatias. Os órgãos reguladores da saúde, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Food and Drug Administration (FDA), possuem registrados equipamentos capazes de controlar o fluxode CO2 injetado, o que confere segurança ao uso. O que pode ser nova é a aplicação com finalidades estéticas. A utilização se estende da celulite (lipodistrofia ginoide) à flacidez e estrias, às cicatrizes inestéticas e ao tratamento complementar nas lipoaspirações para reduzir as irregularidades e diminuir o aspecto “enrugado” da pele, pela melhora da elasticidade cutânea. Esses benefíciosdecorrem da promoção de vasodilatação arteriovenosa local, do aumento do fluxo sanguíneo regional 6, do aumento das drenagens sanguínea e linfática e da lipólise7, resultando, por conta dessas ações, maior disponibilidade de oxigênio para o tecido, aumento no turnover de colágeno e redução da quantidade de tecido adiposo. Entretanto, quando se fala sobre tratamento, a melhor evidência ou aquela maisconfiável é a que tem origem em estudos controlados com alocação aleatória, os conhecidos Randomized Controlled Trials (RCTs). Neles, o novo tratamento (experimento) é comparado à terapêutica considerada padrão de referência para o manejo da doença ou ao placebo, se esse tratamento não existir. A alocação aleatória ou “randomização” garante que os dois grupos a serem comparados sejam semelhantes...