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Mostra Cinema Brasileiro
Anos 2000, 10 Questões

Data: 13/04/2011 CCBB - São Paulo Debatedores: Cássio Starling Carlos e Luiz Zanin Orrichio Moderador: Eduardo Valente

Debate: Que país é esse?

EDUARDO VALENTE – Boa noite. Obrigado, antes de mais nada, pela presença de vocês. Esse é o primeiro debate da mostra “Cinema Brasileiro: Anos 2000, 10 Questões”, que abre hoje no CCBC de SãoPaulo e vai ocupar a sala durante três semanas. A questão de hoje foi uma questão na mostra dos anos 90, realizada há 10 anos no CCBB do Rio de Janeiro.Tínhamos percebido essa característica bem marcante do cinema brasileiro, tanto que o Cléber Eduardo, um dos curadores da mostra, fala no texto dele no catálogo que talvez essa seja a questão menos localizada num período especifico nesses dez anos. Elaacompanha o cinema brasileiro há muito tempo, acompanha vários dos cinemas nacionais, que é de que forma esses cinemas projetam uma imagem de país, de que forma esses filmes – não só os que exibimos, mas os que são feitos num país em determinado período – permitem ver uma imagem maior pra além dos personagens, da história, da narrativa deles. Na mostra dos anos 90, separamos em duas questões, quena época chamamos de “como se constrói um país” e “como se desconstrói um país”. Nós tratávamos um pouco como questões gêmeas, porque alguns cineastas propunham uma ideia de construção de imagem possível de um país apartir de seus filmes, enquanto outros quebravam seus filmes bem propositalmente com a ideia de unificar e simplificar e ter uma compreensão completa do que é um país. Resolvemosentão desta vezjuntar as duas vertentes nessa pergunta única, que é “que pais é esse?”. Vale dizer, por último, que selecionamos 5 filmes pra ajudar nossa conversa e serem exibidos parao publico, mas não achamos que essas questões só aconteceram nesses filmes, de forma alguma.No catálogo citamos uma quantidade enorme de outros filmes.Tampouco achamos que esse filmes só podem servir pra essas questõesque estão sendo exibidos. Eles são muito mais amplos, as questões são muito mais amplas, então é importante dizer que não achamos que essas questões estão resumidas nesses cinco filmes. O que tentamos foi escolher cinco títulos que permitissem os olhares mais diversos, amplos, diferentes, contraditórios inclusive, e que fosse possível pra nós construirmos do todo dessa mostra uma idéia minimamenteinteressante. Então, só pra citar, exibimos hoje nessa sala Quase Dois Irmãos, da Lucia Murat;Baixio das Bestas, do Cláudio Assis; e Signo do Caos, do Rogério Sganzerla. Além deles, estamos colocando outros dois nessa questão, que são Quanto Vale ou É Por Quilo?, do Sergio Bianchi, e Redentor, do Claudio Torres.

Feita a introdução à mostra, ao funcionamento e à questão de hoje, queriaapresentar e passar a palavra para os dois convidados. Primeiro, aqui à minha esquerda, vamos começar com o Cássio Starling Carlos, que é critico de cinema e pesquisador de audiovisual, escreveu durante muito tempo dessa década na Folha Ilustrada e, além disso, tem se arriscado pelo campo bastante pantanoso da curadoria recentemente. Nosso colega, então, não dessa mostra, mas de várias outras. Nóspassamos pros debatedores idéias bem amplas sobre a questão e queremos deixá-los muito livres para seguirem cada um o seu caminho. Meu papel vai ser de, a partir da conversa inicial, fazer com que nós batamos um papo depois da primeira passada deles.

CÁSSIO STARLING CARLOS – Boa noite, obrigado ao CCBB e à curadoria, Valente,Cléber e João Luiz Vieira pelo convite.Me sinto honrado e ao mesmo tempo nadúvida se tenho as condições de suprir a função, porque minha impressão é que fiquei vendo o cinema brasileiro muito de fora, na primeira parte da década, que eu simplesmente cuidava da edição. Porque editei a Ilustrada de 2002 a 2004, e quando sai da edição e fiquei na crítica, o cinema brasileiro passou por mim, mas uma série de outros também, daquela forma muito atabalhoada, que trabalhamos...
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