Campo cerrado: o cerrado goiano por paulo fogaça

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  • Publicado : 12 de março de 2012
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Campo Cerrado: o cerrado goiano por Paulo Fogaça

Paulo Fogaça (Morrinhos, GO, 1936) construiu sua trajetória artística nos anos 1960/1970, período de implantação e vigência do regime militar no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Formado em Engenharia Elétrica pela Universidade do Brasil-RJ, Fogaça abandonou o seu emprego na estatal Eletrobrás para dedicar-se à arte, no final dos anos1960. Realizou diferentes cursos no Museu de Arte Moderna daquela cidade convivendo e compartilhando, com outros artistas brasileiros, processos tidos como experimentais para aquele período.
Fogaça desenvolveu um conjunto trabalhos que revela o seu interesse pelos meios artísticos não convencionais, como também um olhar reflexivo sobre os acontecimentos políticos e sociais emergentes naqueleperíodo. A peculiaridade de sua obra pode ser encontrada nos tipos de materiais e imagens das quais se valeu na concepção da mesma - ferramentas e objetos utilizados por trabalhadores do campo.
Neste artigo destaco um conjunto de quatro trabalhos, intitulados Campo Cerrado, sendo um audiovisual e três em papel. Esses trabalhos tiveram origem em 1975, ano de retorno do artista ao estado de Goiás,com o audiovisual homônimo. Contudo, somente em 1981 que Fogaça retomou o tema para realizar os outros três, como dito, utilizando como suporte e meio o papel, a fotografia e o desenho.
O conjunto Campo Cerrado, num primeiro momento, parecer desviar-se da temática social e político que permeia toda obra do artista. Mas, num olhar mais aproximado revela, além da preocupação sócio-política, ointeresse pela problemática ambiental, em especial do cerrado goiano, embebido num olhar poético sobre aquela paisagem.
No esforço de melhor expor as relações de Fogaça com a paisagem do cerrado goiano, recorro ao ensaio de Luiz Otávio Cabral (2000, p.34), intitulado “A paisagem enquanto fenômeno vivido”, no qual o autor afirma que a “paisagem assume diferentes sentidos segundo o modo de olhar(atribuir significados)”. Assim, o processo perceptivo de Fogaça sobre o cerrado goiano extrapola a simples recepção daquela paisagem para adentrar ao campo das interações subjetivas.
Vale ressaltar que depois de dez anos na cidade do Rio de Janeiro, Fogaça retornou a Goiás e se instalou numa chácara próxima à capital. A proximidade e a convivência com essa paisagem cruzam-se com as lembrançasdo passado. Imagens que remontam a infância do artista, lembranças dos momentos de lazer vividos em seu ambiente natural, onde foram germinadas e articuladas as relações afetivas e culturais que registram a sua identidade. Assim descreve suas lembranças daqueles tempos de menino:
O cerrado faz parte da memória de minha infância: primeiro era um lugar para o qual, em qualquer época, os tios vezou outra escapuliam para as casas das "raparigas"; depois, na época das chuvas, íamos apanhar os pequis maduros debaixo das árvores. A mente e os sentidos trabalhavam as sensações: o mistério de uma coisa, a visão do verde que rebrotava e o perfume dos pequis.

Audiovisual Campo Cerrado: novos meios, novas linguagens
O trabalho inaugural da série, o audiovisual Campo Cerrado, estáinserido nas poéticas tidas experimentais no contexto das artes brasileiras dos anos 1970. O uso da fotografia como linguagem artística estava a pouco sendo explorada por artistas no Brasil. Até então, a fotografia e, especificamente os projetores de slides estavam geralmente restritos a usos didáticos. Fato que nos permite considerar esse e outros trabalhos audiovisuais de Fogaça em conjunto comtrabalhos de mesma natureza de outros artistas brasileiros como Frederico Morais e Anna Maria Maiolino, por exemplo, como precursores do uso dos diapositivos como linguagem artística no Brasil dos anos 1970.
É importante ressaltar que, mesmo que Fogaça tenha pertencido ao grupo de artistas precursores do uso dos “novos meios” nos anos 1970 e, desse modo, se inserido no campo do experimentalismo...
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