Camilo castelo branco

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  • Publicado : 22 de junho de 2012
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LITERATURA PORTGUESA II

Camilo Castelo Branco é uma personalidade literária vista como ímpar pelos os estudiosos da literatura portuguesa: pela fecundidade de sua pena, pela qualidade de seus escritos, pela maleabilidade e flexibilidade de seus mundos, por seu domínio retórico da língua e pelo ritmo que imprime ao todo organizado de cada uma de suas novelas.
Neste trabalho analisaremos acomposição do romance “A queda dum Anjo”, abordando a observação da realidade portuguesa, a construção da narrativa, as relações entre autor/narrador/leitor, bem como identificarmos características do romantismo e realismo.
“A queda dum anjo”, conhecido romance satírico, publicado em 1865, tem por interesse variados motivos: apresentar costumes políticos sociais da época, nos mostrar um retratosatírico do protagonista, símbolo de Portugal velho que perde algumas virtudes ao modernizar-se as pressas e possui um alto grau de vernaculidade da linguagem, ou seja, a obra camiliana nos traz a idéia de um embate entre o velho e o novo, o antigo e o moderno, sintetizado numa estrutura diegética. Dentro dessa dicotomia, a obra enfeixa uma série de dicotomias menores, entre as quais podemos citar:espaço provinciano x espaço citadino; bases sociais do Antigo Regime x ordem burguesa; economia de raízes feudais x economia capitalista; convenções sociais x paixão e amor; linguagem castiça x linguagem corrompida;
E é naturalmente em Calisto Elói (o anjo – por certo, em sentido irônico – referido no título da obra) que se concentra a vivência de todas essas dicotomias.
Em “A queda dum anjo”, onarrador/autor aponta para o leitor atento os fios da dupla trama irônica com que busca estabelecer comunicação, trata-se de uma narrativa ambígua, construída com o fio evanescente da ironia, por um emissor que parece usar, com ironia, múltiplos e sutis sinais dirigidos ao receptor, a lhe indicar a necessidade de cuidado na leitura.
O romance apresenta simultaneamente traços românticos eultra-românticos, ao lado de críticas à produção e à recepção da obra romântica, indicadas principalmente através da incongruência de elementos incompatíveis colocados lado a lado. Essa contradição faz com que se esvazie a emoção que seria provocada pelos elementos passionais presentes na obra, revelando assim a sua intenção paródica.
Um exemplo disso é a "queda do anjo", que não será exatamente de um anjo enem realmente uma queda, ou será uma queda às avessas, uma espécie de jogo de perde-ganha, pois depois dela o protagonista sobe aos céus, como a ninfa que tem o seu nome -Calisto -, mas também desce à terra, já que se humaniza: deixa de ser um anjo infeliz para tomar-se o que a ideologia considera um homem feliz, "com algumas vantagens a mais que o comum dos homens".
O título de “A queda dumanjo” é elaborado com dados do Romantismo, ou seja, valorização do Eu, do amor, da liberdade individual e da vida -, mas também com elementos do Realismo, pois evidencia o pragmatismo de personagens que se adaptam ao contexto, procurando dele tirar proveito. No plano da enunciação, observa-se que o romance apresenta um narrador que, interrompendo a cada momento a diegese (mundo ficcional), com seuscomentários, dirigidos a um receptor intradiegético (narrador que participa dos acontecimentos), destrói com a parábase (parte em que o autor fala diretamente ao leitor) a ilusão do texto como representação da realidade e resultado de inspiração. Mostra-o assim como produção de uma inteligência criadora, que esvazia a seriedade a partir do jogo, usando elementos de representação e fingimento naconstrução de personagens, situações e discursos e configurando o que se convencionou chamar ironia romântica. O autor emparelha a sua arte assim com a capacidade de percepção do leitor, revelando a consciência de que somente a existência desse outro torna real a sua obra e, afinal, a sua própria existência.
Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda é um rico fidalgo da região portuguesa de...
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