Breves apotamentos de logica

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Breves Apontamentos Para Um Curso de Lógica
Ricardo Dip

Par te Segunda: Noções de Lógica do Juízo

1 . - Co nc e i tos d e Ju í z o e d e P rop os iç ão .

A lógic a das pr oposições deve apoiar -se na teoria lógica dos juízos. Em rigor, o objeto direto da lógica é o juízo e não a pr oposiç ão (DE ALEJAN DRO, 158). Exatamente porque car ecem de uma dimensão peculiar a propósito do juízo, algumasteorias lógicas enfocam a proposição como a expressão de um conteúdo meramente convenc ional, incidindo em nominalismo, vale diz er, na impossibilidade de consider ar a lógica como um caminho e um instrumento para a obtenção da verdade. A impor tância da teoria dos juízos é tamanha que alguns autores ( p.ex., SENTROUL e HESSEN) tratam antes dos juízos e, depois, dos termos. Uma lógica, aoreverso, desoc upada dos j uízos, que não tenha, enfim, uma séria pr eocupação apofântica, é uma lógica do irreal, que pouc o ser ve ou nada, pode diz er-se, à razão humana. A circunstância de que não possa haver uma lógica apofântica desamparada de uma teoria dos juíz os não impede, c ontudo, que, reconhec ida a base indispensável ao estudo das pr oposiç ões, não se separem o exame destas e a consideração dos juízos, pela boa r azão de que a proposição (verbal) é apenas a exteriorizaç ão, a figuração lingüístic a do juízo. Em ver dade, o que se atr ibuir à proposição, a ela se adjudicar á em raz ão de um conteúdo mental (scl., a proposição mental, que abrange o juízo) . Juízo define- se “o ato da inteligênc ia, pelo qual unimos ou separ amos duas idéias, por meio da afirmação ou 1

da negação”(SINIBALDI, 28): o ato do intelec to pelo qual se une, afirmando, 104; ou se separ a, negando (MARITAIN, 106; 97; FRÖBES, 98; essa definição TRICOT, GAR DEIL,

corresponde à que ensinava a esc olástica: actio intellectus qua componit vel dividit affirmando vel negando). Proposição define-se a expressão do juízo ( SINIBALDI, 30; TRICOT, 104); designa-se propriamente proposição oral ou verbal a queexprime verbalmente a proposiç ão mental (VAN ACKER, I-129). A expressão do j uízo, seja ela mental, seja verbal, designa-se, de modo pr ópr io, enunciação, quando se consider a em si mesma, e proposição, se se considera como elemento do r aciocínio ou da argumentação (VERNEAUX, 109). Não é incomum, entretanto, que a enunciação e a proposição se tratem como sinônimas ( MARITAIN, 122 ss.;especialmente: DE ALEJANDRO, 158, 159). Pode ainda distinguir- se entr e o julgamento (ato de julgar) e a proposiç ão mental ( que é seu produto), bem como entre a proposição mental ou verbal meramente enunc iativa ( desacompanhada de assentimento intelectual; proposição 108,109). objeto iudicat a projetado (VAN de um Ijulgamento) 88 ss.; e a ACKER, MARITAI N,

2. O p róp r io do j ul g a m e nt o

A propriedade principal do juíz o é a verdade ou a falsidade: o discurso ou enunc iado é “aquele em que reside o verdadeiro mesmo a ou falso” (ARISTÓTELES, como a 17 a); em c onceitua- se que se dá o enunc iaç ão “oração

verdadeiro ou o falso” ( S.TOMÁS DE AQUINO, Comentário ao Peri Hermeneias, I-VI). Assim, conter a verdade ou a falsidade do

conhec imento é uma propriedade ( omni, soli et semper) dojuízo. Efetivamente, a simples apreensão, em que o intelecto não compõe, nem divide, é insusc etível de verdade ou 2

falsidade: na c onsideração absoluta da essênc ia de uma coisa, o entendimento é defic iente ( por não abrangê- la em sua totalidade), mas nele não há falsidade: o equívoco pode ocorrer sobre as circunstâncias que rodeiem a essência ou no estabelec imento de relações, o queimplica j á composiç ão e divisão (S.TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica, I, q. 85, art. 7º). Por outro lado, embora “...falsum contrarium não in faltem freqüentes vel in referências à verdade ou à falsidade no raciocínio ou na argumentação argumentatione (p.ex.: est propositione “... per vero”, falsum

argumentationem abducitur a scientia veritatis”, “... ex par te agumentationis falsae”- S. TOMÁS DE...
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