Brasil vs china

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  • Publicado : 23 de outubro de 2012
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Brasil e China
 
A comparação entre os dois países impõe-se como um exercício crítico dos caminhos e estratégias de desenvolvimento seguidos pelas duas sociedades nos últimos vinte e cinco anos.  A visita do presidente da China, Hu Jintao, à Brasília, DF, na segunda metade de novembro de 2004, enseja a oportunidade de uma avaliação comparativa da situação e das perspectivas dos dois paísesnesse limiar do século 21.
Durante sua visita o presidente chinês exigiu o reconhecimento de status da China como economia de mercado, o que facilitaria seu ingresso à Organização Mundial de Comércio – OMC.  Sem fazer promessas acenou com o fechamento de contratos comerciais e a viabilização de investimentos chineses no Brasil, particularmente em infra-estrutura.  Ouviu o pleito do Brasil para obterapoio da China, quando da reorganização das Nações Unidas, por um assento permanente no Conselho de Segurança, sem manifestar-se a respeito.
Há mais de duas décadas a economia chinesa cresce à taxa anual superior a 9%, medida pelo produto interno bruto – PIB para assombro e inveja de economistas e políticos ocidentais.  Junto com o crescimento econômico ocorreu um acelerado processo deurbanização que transferiu dezenas de milhões de camponeses para as cidades, a um ritmo superior a qualquer outro país na História recente.  Junto com a população expandiu-se o processo de desenvolvimento em direção ao interior por milhares de quilômetros ao longo dos grandes rios Yang-Tse e Huang-Ho acumulando ininterruptamente capital e investindo mais de 40% do PIB, além de absorver mais da metadedos foreign direct investment – FDI dos investimentos estrangeiros do Mercado Mundial.  Com uma ampla oferta de mão-de-obra relativamente qualificada e o acesso à tecnologia de ponta, a China conseguiu exportar e abarrotar os mercados externos com seus produtos, ao mesmo tempo acumulando um saldo superavitário em sua balança comercial de aproximadamente US$ 200 bilhões.
A qualidade de vida de toda apopulação melhorou nesse período, incluindo uma crescente e próspera classe média.  Seu coeficiente de GINI – parâmetro de distribuição desigual da renda – é igual ao dos Estados Unidos.  Apesar de previsões pessimistas que afirmam a insustentabilidade do presente crescimento do PIB e das exportações, os avanços na transformação e expansão do mercado interno reforçam a tendência ao crescimento daeconomia chinesa, atualmente já a terceira do mundo.
Sem dúvida, a China enfrenta enormes problemas sociais e sobretudo, ambientais cujo equacionamento e solução exigirão investimentos e esforços adicionais de planejamento da expansão econômica e social.  Nesse período de vinte e cinco anos a China conseguiu incorporar à sociedade entre duzentos e cinqüenta a trezentos milhões de pessoas como membrosprodutivos, mais do que todos os países “emergentes” ou em desenvolvimento em seu conjunto.  A liderança chinesa, o partido e o governo estão confiantes e decididos em levar a dinâmica do processo de desenvolvimento da costa para o interior onde se encontra a população mais pobre do país.
O Brasil arrasta-se por mais de vinte anos numa recessão econômica – as duas décadas perdidas – durante asquais ficou exposto a políticas macroeconômicas e cambiais irresponsáveis e ruinosas que deixaram o Tesouro Nacional exaurido e o país endividado.
Os sucessivos governos foram obrigados a recorrer ao Fundo Monetário Internacional – FMI a fim de evitar o desmoronamento financeiro e o calote aos seus credores nacionais e internacionais.  Como o saldo dessas políticas macroeconômicas tivemos umaumento do número de milionários e também dos excluídos, desempregados, sem-terra e sem-teto.  O nível das dívidas externa e interna alcançou patamares inéditos em nossa História, o que contribuiu para a elevação da taxa de risco para o país e da taxa de juros estrangulando qualquer possibilidade de um crescimento econômico sustentado.  É verdade, tivemos nos últimos dois anos – 2003 e 2004 – um...
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