Brasil colônia nas vilas de minas gerais

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  • Publicado : 13 de junho de 2011
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DESCLASSIFICADOS DO OURO
Laura de Mello e Souza

Ao longo do século XVIII, aconteceram fatos que acarretariam em transformações estruturais tais como: o fim da Guerra dos Emboabas; a preocupação por parte da Coroa no sentido de estabelecer sua autoridade na zona mineradora (movimento urbanizador); o apogeu aurífero e a sua decadência subseqüente (esta última caracterizada pelo fim dos impostosde captação e na isenção de penhora para grandes senhores) e por fim, o descontentamento dos colonos frente à situação política e econômica que foi expressa através da Inconfidência Mineira.

A festividade religiosa de transladação do Santíssimo Sacramento (1733) assim como os preparativos que a antecederam, retratam muito bem o período de apogeu por qual Vila Rica passava. A descoberta dediamantes na região e o estabelecimento da capitação pelo Fisco só fizeram ratificar esse apogeu. No início do século XVIII, a até então inquieta sociedade mineradora se acomodara e as festas e procissões religiosas eram o grande acontecimento social da localidade, celebrando mais o êxito da zona mineradora do que a fé e a espiritualidade.
A Festa do Áureo Trono Episcopal (1748) que celebra acriação do Bispado de Mariana mostrou o crescimento da sociedade mineradora, bem como de suas vilas e o começo da escassez do ouro, sendo ela considerada como um marco entre o apogeu e a decadência (lenta) do período aurífero.
Sendo assim, as duas festas barrocas serviriam para periodizar o período áureo das Minas. As festas também procuravam enfocar a falsa idéia de que a sociedade mineradora eraigualitária, onde se cria um espaço comum de riqueza (cada vez mais escassa, mas que ainda aparecia como pródiga) – riqueza que é de poucos, mas que o espetáculo luxuoso procura apresentar como sendo de muitos. O barroco se utiliza da ilusão e do paradoxo: “o luxo era ostentação pura, o fausto era falso, a riqueza começava a ser pobreza e o apogeu decadência.”.
Na primeira metade do século XVIII, amigração de pessoas para as Minas Gerais devida à corrida pelo ouro preocupava as autoridades que tentavam, a todo custo, refrear a onda migratória. Assim, o crescimento urbano desordenado e a fome assolaram a população, o que transformou a região em centro de inflação da colônia e acarretou também em prejuízos.
Com a fome, muitos povoados foram abandonados pelos mineiros, dando origem a muitosoutros arraiais, passando-se então, a cultivar roças conjugadas às lavras. Preocupo-se mais também com a questão do abastecimento da capitania feito pela Bahia e, mais tarde, com a construção do Caminho Novo, também pelas capitanias do Sul. Dessa forma, a fome nunca mais chegou a ter tal alcance, sendo somente circulante onde havia pobreza.
Apesar de superado ainda que parcialmente o fantasma dafome, apesar da imagem de uma sociedade rica, eufórica e democrática refletida pelas festas barrocas, tudo indica que as coisas se passavam diferentemente. A riqueza era distribuída por um número limitado de pessoas.
O luxo e a ostentação estavam presentes apenas nas vidas dos grandes senhores de escravos e lavras, conferindo-lhes status social para a manutenção e consolidação do poder(características de uma típica sociedade escravista, própria ao sistema colonial).
Na região mineradora, importava-se a maior parte dos meios de subsistência e quase não havia produção interna ou retenção local do excedente produzido, o que fez com que se desenvolvesse substancialmente a economia no sul e ter desenvolvido a urbanização, sem que houvesse progressos nos segmentos produtivos locais.
Poucosforam os que nesse período conseguiram fazer fortuna, uma vez que o sistema colonial fez com que o fisco, a tributação sobre os escravos, o sistema monetário implantado e as importações consumissem a maior parte da produção das minas.
As alforrias dadas aos escravos não se deveram à capacidade dos escravos em comprar sua própria liberdade (o que só poderia ser feito com um excedente de...
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