Boniteza de um sonho ensinar-e-aprender com sentido

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MOACIR GADOTTI

Ensinar-e-aprender com sentido

BONITEZA DE UM SONHO

São Paulo Editora Cortez 2002

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SUMÁRIO

1 – Por que ser professor? ............................................................. 3 2 – Crise de identidade, crise de sentido ....................................... 10 3 – Formação continuada do professor ..........................................17 4 – Serprofessor na sociedade aprendente .................................. 22 5 – Aprender com emoção, ensinar com alegria ........................... 28 6 – Educar para uma vida sustentável .......................................... 37 7 – Ser professor, ser educador .................................................... 42 Bibliografia..................................................................................... 50 Sobre o autor ................................................................................. 52

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1 Por que ser professor?

A beleza existe em todo lugar. Depende do nosso olhar, da nossa sensibilidade; depende da nossa consciência, do nosso trabalho e do nosso cuidado. A beleza existe porque o ser humano é capaz de sonhar. Inspirei-me em Paulo Freire para escrever esselivro. Paulo Freire nos fala em sua Pedagogia da autonomia da “boniteza de ser gente”1, da boniteza de ser professor: “ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”2. Paulo Freire chama a atenção para a essencialidade do componente estético da formação do educador. Coloquei um título que fala de sonho e de sentido que querem dizer a mesma coisa. “Sentido” querdizer caminho não percorrido mas que se deseja percorrer, portanto, significa projeto, sonho, utopia. Aprender e ensinar com sentido é aprender e ensinar com um sonho na mente. A pedagogia serve de guia para realizar esse sonho. Paulo Freire, em 1980, logo após voltar de 16 anos de exílio, reuniu-se com um grande número de professores em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais. Falou-lhes deesperança, de “sonho possível”, temendo por aqueles e aquelas que “pararem com a sua capacidade de sonhar, de inventar a sua coragem de denunciar e de anunciar”, aqueles e aquelas que, “em lugar de visitar de vez em quando o amanhã, o futuro, pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e com o agora, que em lugar desta viagem constante ao amanhã, se atrelem a um passado de exploração e de rotina”3.1

Paulo Freire, Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Paz e Terra, 1997, p. 67. 2 Idem, ibidem, p. 160. 3 Paulo Freire, in Carlos R. Brandão (org.), O educador: vida e morte – escritos sobre uma espécie em perigo. São Paulo, Brasiliense, 1982, p. 101.

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Dezessete anos depois, em 1997, em seu último livro, lançado três semanas antes de falecer, elese mantinha fiel à mesma linha de pensamento, reafirmando o sonho e a utopia diante da “malvadez neoliberal”, diante do “cinismo de sua ideologia fatalista e a sua recusa inflexível ao sonho e à utopia”4. Denúncia de um lado, anúncio de outro: a sua “pedagogia da autonomia” frente à pedagogia neoliberal. Lembrando os cinco anos da morte de Freire, nesse pequeno livro , quero retomar o que eledisse e entender o seu significado no contexto de hoje. Paulo Freire nos falava da “boniteza” do sonho de ser professor de tantos jovens desse planeta. Se o sonho puder ser sonhado por muitos6 deixará de ser um sonho e se tornará realidade. A realidade, contudo, é muitas vezes bem diferente do sonho. Muitos de meus alunos e alunas, seja na Pedagogia, seja na Licenciatura, não pensam em se dedicar àssalas de aula. Muito revelam desinteresse em seguir a carreira do magistério, mesmo estando num curso de formação de professores. Pesam muito nesse decisão as condições concretas do exercício da profissão. Preparam-se para ser professor e irão exercer outra profissão. O brasileiro desvaloriza o professor. É o que se poderia deduzir de um dito que se tornou popular nas últimas décadas não Brasil:...
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