Blade runner

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  • Publicado : 9 de outubro de 2012
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BLADE RUNNER: 30 ANOS

O filme, Blade Runner - O caçador de andróides completou trinta anos. Um "balzaquiano", diria aqueles que não perdoam as marcas do tempo. Mas por outro lado, a maturidade alcançada por esse filme dirigido por Ridley Scott e lançado em 1982 (também responsável por Alien: O oitavo passageiro que, também definiu as novas tendências da FC nos anos oitenta), não o deixouenvelhecer. Muito pelo contrário: ao ser elevado ao status de clássico, Blade Runner demonstra que continua dialogando com a época atual.
Se não estamos vivendo em arranha-céus imensos como mostrados no filme, ou ainda não fomos capazes de criar veículos que desafiam a lei da gravidade, Blade Runner antecipou alguns aspectos de nossa realidade: o mundo atual, assim como na produção deScott, pode ser definido como é uma espécie de aldeia global, onde os países mais ricos dominam os mais fracos e a tecnologia cada vez mais se incorpora no cotidiano, de modo a provocar nele mudanças radicais que o afetam drasticamente. Com essa "evolução tecnológica” que a cada dia se torna cada vez mais rápida, nós corremos o risco de sermos dominados completamente por ela, se é que isso já não estáacontecendo. O filme também trata de um tema muito discutido: a criação de vida artificial como uma forma dos seres humanos “economizarem” sua própria existência.
Atualmente, mesmo que os cientistas ainda não tenham criado um ser a imagem e semelhança do homem como em Blade Runner, eles continuam investindo em experimentos, os quais podem gerar aberrações genéticas, tais como o rato comorelha humana, ou estão empenhados em dar origem a robôs cujas características possam torná-los cada vez parecidos com os humanos, não somente na aparência estética, mas também na maneira de pensar.
É provável, que um dos fatores que contribuíram para tornar Blade Runner um clássico da FC, seja seu diálogo intertextual com outra obra considerada o marco inicial desse gênero: Frankenstein, deMary Shelley.
Muitos estudiosos, dentre eles, afirmam que apesar do filme de Scott ser uma livre adaptação da novela “Do the androids dream with electric ship?”, de Philip K. Dick, seu protagonista, Roy, o líder dos replicantes tem vários pontos de semelhança com o monstro criado pelo cientista Victor Frankenstein.
Nota-se que ambos, cada qual à sua maneira, procuram seus criadorespara suprirem suas necessidades biológicas e tentam a todo custo se infiltrarem no “mundo dos humanos”. No entanto, essa tentativa de se integrarem à sociedade falha, o que provoca neles um sentimento de frustração, que gera neles uma revolta tão intensa, levando-os a impulsos de destruição e morte. Além disso, ambas as criaturas são vistas por seus criadores como uma ameaça e, tanto Roy como omonstro somente se sentem seguros em lugares isolados, longe do que pode ser considerado “civilizado”.
A cena mais impressionante de Blade Runner, que remete ao mito de Frankenstein, é quando Roy (Ruthger Hauer, em uma excepcional atuação) encontra "seu pai", o cientista que o “gerou”. Inicialmente, ele desperta a compaixão naquele que o criou por sua condição miserável. No entanto, assimcomo outros homens da ciência, o cientista também vê Roy como um experimento, que tem “curto prazo de validade” e afirma que não pode fazer nada para deter o final do processo de degeneração, que levará o replicante e seus companheiros à inevitável destruição.
De modo semelhante ao monstro do romance, quando lhe é negada a companhia de outra criatura, Roy diante da negação de criador, reage deforma violenta: ele pressiona os olhos do cientista, de modo a demonstrar simbolicamente, que a "visão científica" deste, capaz de ter sido capaz de realizar um feito extraordinário, ou seja, sua criação, também é a causa de sua ruína.
Também é possível que Blade Runner tenha se tornado o que pode ser chamado de “mito cinematográfico”, por uma seqüência emblemática, que ficou para sempre...
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