Biotecnologia com base na medicina popular da amazônia

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  • Publicado : 29 de maio de 2012
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“Ei, psiu, vem cá”, disse a erveira Izabela Barros, de 31 anos, daquele jeito peculiar que só as vendedoras têm para atrair os visitantes do mercado do Ver-o-Peso, em Belém. “Eu sei o que tu tá querendo. Tem remédio pra colesterol, diabetes, anemia; remédio pra baque e cicatrizante”, completou a erveira, passando a mão em um chumaço de folhas de canela, arruda e outros matos. De fato, ela tinhaem sua banca uma série de essências, unguetos e ervas que têm poder de cura. A ciência produzida na Amazônia há muito percebeu isso e, com a instalação de dois institutos de pesquisa para produção de medicamentos e vacinas, a medicina popular tem grandes chances de ser o futuro na cura de velhas doenças. Tradições transmitidas por quatro gerações de erveiras. Izabela Barbosa é irmã da tambémerveira
Lucidéia Barros, de 46 anos, ambas filhas da Dona Miraci, que era neta da Dona Cheirosa. Todas aprenderam a lida com as ervas no Ver-o-Peso. O conhecimento, hoje, está nas mãos da filha de Ediléia, Josiane Silva, de 31 anos, que trabalha no mercado e vê o futuro da medicina popular em seus filhos. O secular aprendizado sobre as plantas amazônicas ganha espaço dentro da academia, a partir deiniciativas público-privadas em ciência e tecnologia. Os novos estudos poderão colocar o Pará na rota mundial do rentável mercado de medicamentos e vacinas, que só no ano passado gerou um faturamento de R$ 40,1 bilhões no Brasil.


A instalação de um pólo do Instituto Butantan, em Belterra, no oeste paraense, e a criação do centro de pesquisas farmacológicas Parafarma, no Parque de Ciência eTecnologia do Guamá, na Universidade Federal do
Pará (UFPA), deverão banhar-se na centenária cultura popular amazônica. Mas, para se incorporar ao lucrativo mercado, o Pará terá de passar por um caminho que inclui a importação de tecnologia, acordos com multinacionais farmacêuticas e grandes investimentos. Só o Parafarma receberá governo do Estado e Ministério da Saúde (MS),
inicialmente, cercade R$ 41,5 milhões, que realizará pesquisas em três ramos: fitoterápicos (plantas medicinais), farmoquímicos (substâncias empregadas na fabricação de produtos farmacêuticos) e biofármacos.(medicamentos obtidos por processos biológicos).


A vivaz flora amazônica não é “só” impressionante pela beleza, mas congrega em si a chave para novas perspectivas por possuir a maior biodiversidade doplaneta. Em uma única árvore da pode haver 1.700 tipos de invertebrados, como besouros, aranhas e abelhas. Toda essa riqueza chega a uma conjuntura muito próspera. Há três anos a UFPA
criou a graduação de Biotecnologia, que já no ano que vem formará sua primeira turma. Além disso, a universidade ainda possui cursos de mestrado e doutorado na mesma área. Nesse contexto, o governo do Estado planeja umarrojado investimento na produção de medicamentos, a exemplo do que fez o governo do Estado de Pernambuco, com a criação, em 1966, do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe), que tem faturamento médio de R$ 91 milhões ao ano.


O modelo paraense, o Parafarma, de acordo com o titular-adjunto da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secti), Alberto Arruda, “surgiu deuma ideia da secretaria de valorizar a biodiversidade do Estado”. “A gente sempre olha o Pará como um Estado almoxarifado, de onde a gente vem e tira e nunca olha o Estado a partir de um dos seus
maiores bens, que é a biodiversidade”, disse o gestor. “Criamos, assim, um programa chamado BioPará, que se baseia em um tripé: fármacos, alimentos e cosméticos. O Parafarma surgiu nesse grupamento
defármacos”. O centro de pesquisa será uma empresa estatal, nos moldes da Empresa de Processamento de Dados do Pará (Prodepa), também sob responsabilidade do governo estadual. O Parafarma, contudo, será
vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) e, inicialmente, terá como único cliente o Ministério da Saúde. Na verdade, o governo federal é um incentivador e o projeto envolverá uma gama de...
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