Bioética - uso de células tronco

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  • Publicado : 13 de novembro de 2011
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Células-tronco: pesquisa básica em saúde, da ética à panacéia

A polêmica da pesquisa com células-embrionárias
A tensão entre as possibilidades de pesquisa com células adultas ou com as embrionárias se explicita no comentário de duas doutorandas que trabalham com células-tronco adultas: "Eu, na verdade, trabalho com as células-tronco neurais, não são as embrionárias, porque as embrionárias éque é o 'tchã', é o que todo mundo quer saber, é o que todo mundo quer pesquisar". A segunda fala sobre o tipo celular usado em terapia: "Mas pessoas não vêem com bons olhos o fato de não ser totipotente, pluripotente, tipo as células-tronco do tecido adiposo não se tornam todos os tipos de células, só alguns. As pessoas querem as embrionárias, que viram tudo". Enquanto uma comenta o interessemaior na pesquisa com células-tronco embrionárias, outra fala da expectativa quanto à possibilidade de terapia com as embrionárias, em função de sua pluripotencialidade.
Uma das questões centrais é definir a posição dos pesquisadores acerca do uso de embriões humanos como material de experimentação. Considerando o grupo dos professores, dos 16 indagados a respeito, 13 são favoráveis ao uso deembriões humanos como material para a produção de células-tronco e três foram contrários. Destes contrários, dois atribuem a condição humana ao embrião, uma, porém, é contrária simplesmente por julgar que o uso de embriões em terapias seria um processo de risco altíssimo e que não se chegaria a controlar as células-tronco a ponto de se superar o risco. A necessidade de expandir o conhecimento e apossibilidade distante de controlar as células embrionárias e empregar seu alto potencial de diferenciação são os elementos que fundamentam as opiniões favoráveis à pesquisa. Entre os alunos, as respostas foram semelhantes: dos dezoito registrados, treze são favoráveis, três estão indecisos, um é contrário e um não quis responder. As justificativas para as respostas dos alunos foram similares às dosprofessores. Os indecisos ficavam entre os argumentos das duas posições.
Pouquíssimos entrevistados (quatro) se opõem de forma absoluta às pesquisas com CT embrionárias humanas. Como se estrutura essa argumentação acerca do uso dos embriões humanos? O que a fundamenta? Existe relação com a organização do campo científico? O quadro parece evidente à primeira vista, opondo os que atribuem a condição depessoa ao embrião e os que a negam, mas ao incluir a resposta à pergunta "o que é o embrião humano para você?", essa divisão nítida se embaralha. As respostas de professores e alunos foram analisadas em conjunto, uma vez que repetem os mesmos padrões de significados e têm distribuição semelhante. As respostas mais freqüentes foram: ser humano em estágio inicial, ser vivo, início da vida, serhumano, ser em desenvolvimento, possibilidade ou potencial de vida, expressões que atribuíam a condição humana ao embrião ou a condição de ser vivo.
Vários se colocam sobre os aspectos éticos da pesquisa com embriões humanos usando a expressão: é necessário "determinar o início da vida". Enquanto os contrários à pesquisa falam de ser humano, vida humana, individualidade, os favoráveis discutem o"início da vida". Quanto ao problema de "definir o que é vida" e "definir seu início", há várias definições temporais do surgimento do embrião com critérios morfológicos e funcionais: "existe embrião desde a fecundação", "só é embrião depois do surgimento do sistema nervoso", "é quando se forma a cabeça e o tronco".
Não se citou o termo "pré-embrião", comum na bioética e também usado por profissionaisde reprodução assistida, embora um dos pesquisadores, que viera recentemente dos EUA, tenha falado do limite dos 15 dias como marco para o surgimento do sistema nervoso5. Ele julga que esse limite é amplamente reconhecido. O surgimento do sistema nervoso foi citado por outros entrevistados, embora sem o marco dos 15 dias.
Dois professores justificam seu parâmetro da existência do sistema...
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