Biblioteconomia

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 31 (7584 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 12 de agosto de 2014
Ler documento completo
Amostra do texto
Histórias que o Povo Conta
Tradição Popular
Ricardo Azevedo

Quanta coisa o povo inventa!
Macaco falante, príncipe valente, tartaruga voadora. Velha ranzinza e
bicharada encrenqueira. Tudo isso e muito mais saiu da cabeça do povo e foi contado
neste livro.
São histórias tão antigas que ninguém mais sabe quem inventou. Elas já
eram contadas bem antes de nossos tataravós existirem, econtinuam vivas até hoje.
Quem ouvia e gostava, acabava contando para outras pessoas, que também
passavam adiante. Assim, de boca em boca, elas foram se modificando, ganhando
um monte de versões diferentes pelo Brasil afora e resistindo à passagem do tempo.
O escritor Ricardo Azevedo adora ouvir as histórias que o povo conta e
reuni-las em livros.
Aqui você vai conhecer seis delas. Cada uma é deum tipo de conto
folclórico, de acordo com a classificação de Câmara Cascudo, um estudioso da
tradição popular.
Agora é com você! Vire a página que a confusão vai começar!
Os editores

Sumário
1. CONTO DE ANIMAIS
O macaco e a onça
2. CONTO DE ENCANTAMENTO
O rei que ficou cego
3. CONTO DE RISO
O macaco e a velha

4. CONTO DE ORIGEM
A tartaruga e a fruta amarela
5. CONTO DESABEDORIA
O gambá e o jarro de leite
6. CONTO ACUMULATIVO
O gato e o burro
Na boca do povo

1. CONTO DE ANIMAIS
Nesse tipo de história, os personagens são animais, mas agem como se
fossem gente. Costumam aparecer disputando alguma coisa, como o macaco e a
onça que você vai conhecer a seguir. Esta espécie de conto também é chamada de
fábula, principalmente quando termina com uma lição de moralexplícita.

O macaco e a onça
A onça era o bicho mais bravo e malvado da floresta. Comia anta. Comia
capivara. Comia tatu. Comia queixada. Comia veado. Só não comia o macaco, pois
esse a onça não conseguia pegar, de jeito nenhum.
— Um dia eu agarro esse malandro — dizia ela lambendo os beiços.
Quando foi um dia, a onça teve uma idéia.
Subiu no alto de uma pedra e chamou a bicharada dafloresta. Avisou que ia
dar uma festa. Mas tinha uma coisa. A onça fazia questão:

— Quero que cada bicho traga sua mãe.
— Pra quê? — perguntou a anta.
A onça fez cara de inocente. Inventou que era para ver quem gostava e
quem não gostava da própria mãe:
— Quem não trouxer, já sei que não gosta! A bicharada caiu na conversa
fiada da onça.
Mas o macaco ficou desconfiado. Voltou para casa eescondeu a mãe no
galho mais alto do tronco mais alto da árvore mais alta do morro mais alto da floresta.
O dia da festa chegou.
A bicharada apareceu toda contente, cada um trazendo a sua mãe.
Que desgraceira!
A onça deu um bote e foi comendo tudo quanto foi mãe de bicho que
encontrava no caminho.
Quando estava de pança cheia, encontrou o macaco:
— Cadê sua mãe?
O macaco encheu os olhos decuspe, botou a mão no peito, fez careta e
começou a berrar:
Ai de mim, ai de mim
Minha pobre mãe morreu
Minha mãe era um quindim
Veio uma onça e comeu
O macaco gritava, chorava e ria.
A onça ficou com raiva, pois não tinha comido nem a mãe do macaco nem,
muito menos, o macaco.
Tempos depois, a malvada teve outra idéia.
— Agora eu cato o danado!
Ficou escondida bem no caminho que o macacopegava todos os dias.
No fim da tarde, o macaco apareceu.
Sentiu um cheirinho estranho no ar.
"Aqui tem onça", pensou ele.

Para ter certeza, parou, olhou bem para o chão e gritou:
Caminho, cadê você
Caminho, quero passar
Caminho, se não responde
Vou já pra outro lugar
O caminho, claro, continuou quieto, parado no chão.
O macaco sacudiu os ombros, deu meia-volta e fingiu que iaembora.
Ao ver o macaco escapar mais uma vez, a onça disfarçou e fez voz de
estrada:
— Uh! mucucu. Num vui imbura num. Pudi pussur qui iu istu uqui.
Ao ouvir aquela voz fingida, o macaco caiu na gargalhada:
Cai fora, onça, cai fora
Cai fora, não vem com essa
Cai fora que eu vou-me embora
Cai fora, que eu estou com pressa!
Disse isso, saltou num galho e sumiu rindo e dançando no meio das...
tracking img