Bibliografia de Magda Soares

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  • Publicado : 13 de junho de 2014
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Bibliografia de Magda Soares
Ela chegou aos 80 anos, e está aposentada há 13, mas se engana quem acha que é fácil agendar um encontro com a professora emérita Magda Becker Soares, uma das criadoras da Faculdade de Educação da UFMG, a FaE. Ela passa o início da semana em Lagoa Santa, a 35 quilômetros de Belo Horizonte. Tem casa na cidade, que frequenta desde que nasceu, mas não vai paradescansar. Atua como consultora da rede municipal de educação. Tampouco para a família é tão simples encontrar Magda, já que não são raros os fins de semana em que ela viaja para fazer palestras e receber homenagens.
A entrevista para este perfil se encaixou entre duas viagens. Numa delas, Magda Soares recebeu uma estatueta do ídolo Paulo Freire, já devidamente instalada numa das prateleiras que,espalhadas por diversos cômodos e corredores da ampla casa em Belo Horizonte, abrigam cerca de oito mil livros. Ela diz que não consegue se desfazer desses objetos, pelos quais tem adoração. “Sou assim desde pequena, gosto de pegar, cheirar os livros”, se derrete. E não há perspectiva de que a biblioteca vá parar de crescer, mesmo porque Magda promete contribuir pessoalmente: está escrevendo mais umlivro de sua extensa bibliografia, sobre a questão das metodologias de alfabetização, e tem outros dois volumes em mente.
Isso sem falar na obra em que pretende descrever um dia a experiência em Lagoa Santa, iniciada há sete anos. “Ainda não estou madura para escrever sobre isso”, ela explica. O entusiasmo com o Núcleo de Alfabetização e Letramento que criou naquela cidade é escancarado. Ela cuida daeducação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental. Convicta de que é restrito o impacto de cursos de atualização para poucas dezenas de professores a cada vez, Magda Soares agarrou a oportunidade de atuar numa rede inteira. E os resultados são palpáveis, incluindo aumento significativo do desempenho no município no Ideb.
“Funciona porque estou lá, mais que para ensinar, parainteragir com os professores, que têm o conhecimento intuitivo, sabem como as coisas ocorrem no cotidiano e questionam minhas certezas”, comenta a pesquisadora. Era isso o que ela queria: confrontar as teorias e a prática, as utopias e a realidade. Estabeleceu metas e continuidade. E criou bibliotecas, uma em cada escola. “Diziam que não tinha espaço, eu sugeria trocar a função de uma sala, fazer umpuxadinho”, ela conta.
A história de Magda Soares em Lagoa Santa combina com uma carreira regida, entre outros ideais, pelo de socializar o conhecimento. O Centro de Estudos sobre Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), criado por ela em 1990, é movido pela exigência de que os resultados das pesquisas sejam transformados em ação. Mas ela admite que não é fácil compatibilizar produção e socialização,também porque as demandas são sempre para ontem, o que não combina com o ritmo da universidade, o da pesquisa, “que precisa iluminar a questão antes que se tente resolvê-la”.
Primeiras séries
A nova atividade como consultora é uma novidade que nem chega a representar a maior guinada na vida de Magda Soares. Na época do vestibular, estava decidida a seguir as ciências exatas, por influência dopai, que foi professor de física da UFMG – um filho e um neto retomariam mais tarde o caminho de Caio Líbano Soares –, mas as aulas de português da professora Angela Leão, no Instituto Izabela Hendrix, onde Magda fez todo o percurso básico de ensino, a levariam para a área de línguas e literatura.
Não pretendia ser professora, mas acabou fazendo a pós-graduação em educação, e encontrou napedagogia a ponte necessária entre o estudo da língua e a formação do professor de língua. Outra correção de rota: contrariando a licenciatura dirigida ao segundo segmento do ensino fundamental, ela optou por estudar a aprendizagem da língua escrita nas primeiras séries. “Percebi que essa aprendizagem começa antes e que precisava me dedicar a essa etapa”, recorda a professora.
E ela continuaria...