Bibliografia de alda lara

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  • Publicado : 13 de novembro de 2012
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A escritora angolana Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque, nasceu em Benguela, na Angola em 1930 e veio a falecer em Cambambe, também em Angola no ano de 1962 com apenas 32 anos. Casou-se com o escritor Orlando Albuquerque e se formou em medicina na faculdade de Coimbra.
Após sua morte, seu marido buscou reunir suas obras afim de editá-las. Ele procurou também, colaborar em algunsjornais e revistas, incluindo a revista Mensagem. Dentre suas obras podem ser destacadas Poemas (1966), Poesia (1969), Poemas (1984), entre outros.
Alda Lara era descendente de uma família onde já havia o gosto pela escrita. Era irmã de Ernesto Lara Filho, um dos maiores poetas e cronistas de Angola. Ela sempre teve vontade de divulgar a poesia africana, tanto que foi declamadora e após suamorte a Câmara Municipal de Sá da Bandeira-Angola, instituiu o prêmio Lara para poesia em sua homenagem.
Existem poucas produções literárias africanas de autoria feminina, porém, Alda Lara se destaca com sua poesia, onde aborda uma temática que explora a situação do país naquele momento, expressando a maneira pela qual homens e mulheres eram amolados, assim como retratou também um sonho, um ideallibertário de Angola, onde homens e mulheres unidos poderiam reconstruir a nação.
Suas poesias, portanto, evidenciaram a África explorando suas paisagens, suas gentes e seu aroma que se espalhou pelo mundo.
Infelizmente, sua morte prematura não a possibilitou completar seu grande seu grande sonho idealizado: a independência de Angola.
Dentre os vários poemas que expressam o valor de sua obra e aomesmo tempo retratam o contexto histórico vivido pelo povo angolano cabe destacar dois: Presença Africana e Prelúdio ambos de sua obra Poemas de 1966.
Presença Africana
E apesar de tudo,
Ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro eincerto...
A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
Nascendo dos braços das palmeiras...
A do sol bom, mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
Salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...
Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairrosimundos e dormentes
(Rua 11!... Rua 11!...)
pelos meninos
de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu
e corpo musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...
E eu revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
Longa história inconsequente...
Minha terra...
Minha, eternamente...
Terra das acácias, dos dongos,
dos cólios baloiçando,mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.
Ainda sou a que num canto novo
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!
Na primeira estrofe deste poema, Alda Lara afirma que apesar da distancia que a separa de sua terra natal, ainda traz não somente as lembranças de sua amada terra, como também as raízes da própria África em seu corpo.
Na quarta e na quinta estrofe, ela reafirma ser amesma e que ainda não mudou e que se lembra do sofrimento de seus irmãos e da degradante situação vivida por eles e seus filhos. Relembram o cenário real contemplado por ela todos os dias, que a marcou não permitindo que se esquecesse jamais de seu povo.
Nas duas últimas estrofes, reafirmando outra vez ainda ser a mesma, utilizará sua escrita como arma para lutar pela liberdade de seu povo e de suatão querida Mãe – África mesmo que fisicamente distante.
As estrofes abaixo do poema Prelúdio, desta grande poetisa angolana, mostrarão como um grito de protesto, a humilhante situação a que foram expostas as comunidades africanas de língua portuguesa, em especial as mulheres durante este período colonial.
Dedicando este poema a Lídia, sua velha ama negra, contará a história de uma mulher...
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