Bestializados ou bilontras

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  • Publicado : 16 de abril de 2013
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O inicio do regime republicano no Brasil em final do século XIX desencadeou dentro do cenário nacional uma série de expectativas e anseios sobre o imaginário popular, principalmente, de qual seria o direcionamento deste novo regime e de como se daria a nova relação entre os cidadãos e o republicanismo.
No cerne desta temática, o capitulo V, do livro: os bestializados, do historiador José Murilode Carvalho, traz a tona a emblemática de como se estabeleceram as relações entre a nova forma de governo e sua população, especificando exatamente em seus estudos a cidade do Rio de Janeiro, que naquele momento era a atual capital administrativa do regime republicano brasileiro.
Intitulado: Bestializados ou Bilontras (o mesmo de espertalhão, gozador), este capitulo aborda sobre diferentes primasàs visões ou expectativas geradas em torna do cidadão republicano brasileiro. Ao iniciar sua proposta de estudo o autor lança de premissa que, ao se instaurar o sistema republicano criou-se uma inúmera quantidade de expectativas e anseios por parte dos intelectuais da época e das lideranças de uma certa elite republicana sobre a ação popular neste novo regime, como também houveram aspirações doslíderes das alas operarias mais radicais para que esta população tivesse um vida política mais ativa com o novo estado.
Neste momento, esperava-se da população brasileira a mesma reação que aconteceu em países europeus quando instauraram suas repúblicas, ou seja, que este povo agora tivesse consciência da possibilidade de sua ação política, formando partidos políticos, discutidos idéias sobre ogerenciamento do estado, influenciando nas decisões estatais, enfim, uma organização civil ativa que agisse diretamente no estado e estabelecesse os direitos e os deveres neste novo tempo da sociedade brasileira.
Entretanto para perplexidade de ambos a população carioca em sua boa parte, estava organizada através associações civis de caráter comunitário que não tinham entre seus interesses açõesou atividades que promovessem, por exemplo, formações de partidos políticos, estas organizações civis tinha fins de cooperação e assistencialismo, para determinados grupos ou mesmo fins religiosos ou festivos, alias ambos ao mesmo tempo.
Este posicionamento da maioria da sociedade carioca nos primórdios da republica fez que muitos pensadores, que ao enxergarem a apatia política desta população,principalmente os membros das elites, classificaram esta população de vários nomes pejorativos, como; ignorantes, imbecis, e até de bestializados. Essa postura das camadas das elites de descrença e desprezo pelo povo, do qual não compreendiam este como povo era fortalecida através das grandes festividades e arruaças que esta população promovia, misturando na festas religiosas elementos sagrados eprofanos de diversas culturas, como por exemplo, o fado, o samba e a capoeira.
Entretanto apesar da população se organizar de uma forma distinta dos modelos esperados pela elite e pelos movimentos operários mais anarquistas, este povo não estava alheio ao estado, agiam e reivindicavam ações públicas do ponto de vista comunitário, como; arruamento, limpeza pública, transporte, como também exigiamretaliações contra arbitrariedades e exploração de fiscais e funcionários públicos, porém essas exigências não se tratavam de queixas ao governo, mas sim de demonstrar aquilo que a população considerava legitimidade do estado, não caindo aqui na tentação de achar que este população queria uma intervenção mínima do estado, ou seja, que fossem seguidores do liberalismo. Na verdade esta população sevia como súditos do estado, no qual necessitavam de sua presença, porém não se enxergavam ainda como agentes fundadores deste estado e muito menos participativo dele como esperava os intelectuais políticos da época.
Buscando entender o porquê deste comportamento popular dentro da capital republicana naquele momento, o historiador, se lança em algumas linhas de explicações teóricas possíveis de...
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