Benjamin costallat e o sorriso "falso" da sociedade carioca dos anos 1920

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  • Publicado : 5 de novembro de 2011
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INTRODUÇÃO

Durante as primeiras décadas do século XX, o Rio de Janeiro passou por transformações fundamentais que a fizeram se transformar em “a Paris dos trópicos”. Para tanto, era necessário acabar com a maldita herança colonial e “tirar a roupa” do deposto Império, jogando-a a luz da modernidade do novo século.
Nos primeiros anos do período republicano, o Brasil ainda se encontravaatrelado a uma incerteza ideológica: ou se ocupava de imitar os norte-americanos, com a forma republicana federativa e uma Constituição liberal, ou os franceses, cuja inspiração era presente, inclusive, no dístico da bandeira nacional, parafraseando Comte, inspirador e fundador da teoria positivista.
Durante esse estágio epistemológico, o país passara por algumas contendas internas, como a Revolta daArmada, de 1891, e a Guerra de Canudos, em 1896-1897. Em especial o segundo momento aqui citado, o foco era debelar uma “resistência ao novo regime (República)”, pois ainda havia um sentimento infeliz da derrubada do Império, visto que a figura de D. Pedro II ainda era muito querida por certos setores da população brasileira. Era, portanto, fundamental modificar o pensamento do povo.
E essamodificação veio durante o governo de Rodrigues Alves (1903-1906). Com o intuito de dar um aspecto melhor à Capital Federal, o presidente decreta a remodelação da cidade do Rio de Janeiro, a exemplo do que já havia ocorrido em Paris, com o barão Haussmann, em meados do século XIX, transformando tal cidade em uma quase “capital do mundo Ocidental”.
Para que tal fator pudesse ocorrer, Rodrigues Alvesnomeou o engenheiro Francisco Pereira Passos como prefeito da cidade do Rio de Janeiro para dar início às transformações fundamentais na capital da República, fazendo-a completamente saneada e habitável.
A principal questão urbanística era abrir uma grande e larga avenida ligando o cais da antiga Prainha à novíssima e urbanizada Avenida Beira-Mar. Porém, havia duas questões a tratar ainda, que tinhama ver com a urbanização imposta por Passos: o saneamento da cidade, que ficara a cargo do ilustre sanitarista – indicado pelo Instituto Pasteur, na França – Oswaldo Cruz, e a remoção da população que habitava as antigas ruelas do centro do Rio, em insalubres cortiços.
Sobre o primeiro ponto, observamos uma campanha agressiva por parte de Oswaldo Cruz – apoiado por Pereira Passos e RodriguesAlves – para controlar as epidemias constantes de febre amarela e varíola na cidade, visto que já eram motivos suficientes para um processo de urbanização da capital de um país. Porém, em 1904, ao explodir a Revolta da Vacina Obrigatória, não houve uma recusa de se injetar a vacina, mas por conta de uma moral vitoriana sem nexo perante uma epidemia, ocorreu certo despudor por apenas se mostrar oantebraço para se aplicar o líquido protetor.
As campanhas derrotistas sobre esse assunto foram inúmeras e tão inúmeras foram às pessoas que sobreviveram ao primeiro verão na cidade carioca após tomarem a vacina contra a varíola. Mas ainda havia outro fator para começar a preocupar a população de baixa renda: era necessário fazer o ar circular na cidade, um ar limpo, vindo do mar, cheio desalubridade. Era necessário, então, acabar com os morros do centro da cidade, em especial o morro do Castelo, o maior e mais povoado de todos.
Nesse ínterim que vamos constatar o início da demolição do morro do Castelo e a remoção de sua população para regiões mais afastadas do centro, como o Santo Cristo, a Gamboa, a Saúde (bairros conhecidos como “pequena África”) e o nascimento de bairros mais afastados,como Bangu, Ramos, Irajá, entre outros. A população que aí fora ocupar os espaços vazios provinha da reforma Passos.
Esse processo foi exatamente fazer com que a Capital Federal começasse a se transformar na “Paris dos trópicos”, com seus bulevares (a Avenida Central, ponto culminante daquele processo), a criação de espaços próprios para que a burguesia da época pudesse freqüentar como cafés...
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