Belo monte

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  • Publicado : 16 de novembro de 2012
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BELO MONTE: ‘PRECISAMOS DE OUTRO MODELO DE DESENVOLVIMENTO’. ENTREVISTA COM DION MONTEIRO
“ Na avaliação do economista Dion Monteiro, "o que está por trás da questão da Usina de Belo Monte é a concepção de vida de modelos de desenvolvimento e relações econômicas, sociais, políticas, culturais e ambientais que existem onde o econômico se destaca". Em entrevista concedida, por telefone, à IHUOn-Line, Monteiro analisa a situação da região após o leilão da Usina, realizado no dia 20 de abril. Sobre a polêmica arrematação, Monteiro diz que a cassação da suspensão do leilão é muito "interessante" de ser avaliada, no sentido dos interesses políticos escondidos neste processo. "Sabemos que a decisão do presidente do TRF foi política, não levando em consideração os aspectos técnicos que tanto oMPF quanto o juiz federal de Altamira levantaram no decorrer do processo. Isso aponta, infelizmente, subordinação e conivência entre o executivo, no caso do governo federal, e o servidor público do judiciário, que cassou as liminares", afirma.
A respeito dos próximos capítulos da história de Belo Monte, Monteiro destaca que o processo de denúncias e as manifestações irão continuar. "Vamoscontinuar com nossas ações políticas. Acreditamos que o governo incorre um erro gravíssimo sobre modelos de desenvolvimento. O governo ainda insiste em um modelo atrasado, considerado no mundo todo como responsável pelos graves problemas ambientais e sociais, não consegue ver além do componente econômico, e, desta forma, só acentua os desastres climáticos, ambientais e o ataque ao planeta", lamenta.Dion Márcio C. Monteiro é economista e membro do comitê metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre.”
Além disso, o economista ainda afirma que as indústrias trabalham na produção de bens duráveis, e outras, na produção de bens de consumo. Na região norte são as empresas eletrointensivas, aquelas que precisam de muita energia para mover sua atividade produtiva, em especial as mineradoras quetrabalham com exploração de recursos minerais, como a Vale, a Alcoa. Há algumas que extraem, mas se beneficiam desses recursos, como metalúrgicas e siderúrgicas. Em suma, são empresas que desenvolvem a atividade produtiva pautada na extração e industrialização dos recursos. Temos visto que o desenvolvimento de suas atividades tem trazido consequências muito graves em relação à questão ambiental. Éo aprofundamento de um modelo de desenvolvimento pautado no fator econômico. É um modelo atrasado, antigo e que não dá conta das necessidades do mundo na atualidade.
Segundo estudos realizados por autoridades no assunto, os 11 mil megawatts de potência dessa usina só serão gerados durante quatro meses no ano.
Os estudos mostram que, devido ao fluxo do Rio Xingu, só durante três ou quatro meses,e em alguns momentos até dois, os 11 mil megawatts serão gerados. Em outros quatro meses, serão geradas uma quantidade entre 30 e 40%, e nos outros meses, muito menos do que isso, no máximo mil megawatts. Isso implica diretamente na viabilidade econômica da obra, porque vão se gastar 20 bilhões de reais para construí-la, segundo o governo; 30 bilhões de reais, segundo as empresas; e 40 bilhões,segundo outros analistas. Isso para uma obra que só irá gerar grande quantidade de energia durante quatro meses.
Como a usina irá trabalhar com menos de 50% da sua capacidade máxima de viabilização, isso quer dizer que, economicamente, a obra não se sustenta. Isso sem levar em consideração as questões ambientais que estão sendo tratadas por especialistas independentes, pelo Ministério PúblicoFederal, por organizações de movimentos sociais e pelas comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e agrícolas da região. Essa situação ambiental e social é séria, mas, se olharmos somente pelo aspecto econômico, é uma situação que inviabiliza a obra.
Fica explicita nossa posição em relação a Belo Monte, que não é puramente ideológica e dogmatizada. É uma posição a partir de uma ampla reflexão,...
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