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CIDADE DE MUROS:
Crime, Segregação e Cidadania
Autora: Teresa Pires do Rio Caldeira










PARTE III: SEGREGAÇÃO URBANA, ENCLAVES FORTIFICADOS E ESPAÇO PÚBLICO.

SÃO PAULO: TRÊS PADRÕESDE SEGREGAÇÃO ESPACIAL

“... Ao longo do século XX, a segregação social teve pelo menos três formas diferentes de expressão no espaço urbano de São Paulo. A primeira estendeu-se do final doséculo XIX até os anos 1940 e produziu uma cidade concentrada em que os diferentes grupos sociais se comprimiam numa área urbana pequena e estavam segregados por tipos de moradia. A segunda forma urbana, a centro-periferia, dominou o desenvolvimento da cidade dos anos 40 até os anos 80. Nela, diferentes grupos sociais estão separados por grandes distancias: as classes media e alta concentram-senos bairros centrais com boa infra-estrutura, e os pobre vivem nas precárias e distantes periferias. Embora os moradores e cientistas sociais ainda concebam e discutam a cidade em termos do segundo padrão, uma terceira forma vem se configurando desde os anos 80 e mudando consideravelmente a cidade e sua região metropolitana...” (pág. 211)
“... O principal instrumento desse novo padrão desegregação espacial é o chamo de “enclaves fortificados”. Trata-se de espaços privatizados, fechados e monitorados para residência, consumo, lazer e trabalho. A sua principal justificação é o medo do crime violento. Esses novos espaços atraem aqueles que estão abandonando a esfera pública tradicional das ruas para os pobres, os “ marginalizados” e os sem-teto...” (pág. 211)
“... Os novos bulevaresincorporavam as condições para o anonimato e o individualismo, permitindo tanto a livre circulação quanto a desatenção às diferenças e ajudando, assim, a consolidar a imagem de um espaço publico aberto e igualitário. Esses são exatamente os valores que estão em xeque atualmente em São Paulo e em muitas outras cidades onde o espaço público não mais se relaciona ao ideal moderno de universalidade. Em vezdisso, ele promove a separação e a idéia de que os grupos sociais devem viver em enclaves homogêneos, isolados daqueles percebidos como diferentes. Conseqüentemente, o novo padrão que acentua as diferenças de classe e estratégias de separação...” (pág. 212)
“... De 1890 até cerca de 1940, o espaço urbano e a vida social de São Paulo foram caracterizados por concentração e heterogeneidade...” (pág.213)
“... Na virada do século, a construção era intensa: erguiam-se novas fábricas uma atrás da outra, e residências tinham que ser construídas rapidamente para abrigar as ondas de trabalhadores chagando a cada ano. As funções não eram espacialmente separadas, as fábricas eram construídas perto das casas, e comércio e serviços intercalavam-se com residências...” (pág. 213)
“... havia umatendência de a elite ocupar a parte mais alta da cidade – em direção ao espigão central onde se localizaria a Avenida Paulista – e os trabalhadores viverem nas áreas mais baixas, ladeando as margens dos rios...” (pág. 214)
“... No começo do século, a segregação social se expressava também nas moradias: enquanto a elite (da indústria e da produção de café) e uma pequena classe média viviam em mansõesou casas próprias, mais de 80% das habitações de São Paulo eram alugadas...” (pág. 214)
“... Em 1980, o estado de São Paulo criou o serviço Sanitário, seguido pelo Código Sanitário de 1984. Logo em seguida, agentes do estado começaram a visitar moradias dos pobres, especialmente os cortiços, procurando por doentes e mantendo estatísticas e registros...” (pág. 214)
“... Além de controlar ospobres, a elite começou a separar-se deles. Temendo epidemias...” (pág. 214)
“... os membros da elite começaram a mudar-se das áreas densamente povoadas da cidade para regiões um pouco afastadas e com empreendimentos imobiliários exclusivos...” (pág. 215)
“... No âmbito municipal, os prefeitos e seus secretários procuraram abrir avenidas, alargar ruas, embelezar e organizar o centro da...