Baraka x santo forte

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Curso: Bacharelado em Audiovisual

Disciplina: Edição de Documentário

Turma: 6º semestre 2010 - manhã

Docente: Giuliano Ronco

Discente: Ricardo De Caroli Tonso Villar Alves




Trabalho Escrito




Questões propostas:

Os filmes Santo Forte, de Eduardo Coutinho, e Baraka, de Ron Fricke, incluíram em sua montagem final cenas em quepessoas olham diretamente para a câmera sem dizer nada.




1. Que tipos de interpretações são possíveis de se extrair a respeito do uso destas imagens nos contextos dos dois filmes? Justifique.

Santo Forte explora o universo espírita no qual vivem as pessoas retratadas no filme. Coutinho nos apresenta as fortes relações entre a Igreja Católica e a Umbanda e como os fiéis, deambas as religiões, lidam com essa mistura que parece ser tão natural para eles. A idéia de Coutinho para o filme era fazer uma montagem em função do fluxo verbal, porém, ele decide fazer o uso de diversas imagens, no decorrer do filme, que não possuem a fala como forma de expressão. São três tipos de imagens que não possuem fala: (1) imagens de estátuas de santos, (2) imagens de cômodos vazios e (3)imagens dos entrevistados/personagens olhando diretamente para a câmera.

Como o filme é quase completamente baseado na fala dos personagens, esses momentos funcionam como um respiro para o filme, dando ao espectador momentos de reflexão sem ter uma palavra como “muleta”, o espectador passa a refletir a respeito das imagens e não a respeito da palavra.

O filme de Coutinho possuimuitos entrevistados, são várias as pessoas que dão seu depoimento para o diretor, porém, nem todas elas são personagens propriamente ditos, são, apenas, entrevistados. Coutinho diferencia esses dois tipos em seu filme a partir de um dispositivo simples: ele filma os personagens encarando a câmera. Quando vemos tais imagens, logo percebemos que os depoimentos que estão por vir são, de certa forma,mais importantes ou interessantes para o filme do que os outros, ou, no mínimo, foram mais importantes para Coutinho, que decidiu dar maior aprofundamento a eles. Ou seja, quando o personagem olha para a câmera, Coutinho está nos apresentando tal personagem, é como se chamasse nossa atenção e dissesse: “Veja, o que está por vir é importante, escute atentamente”.

Além disso, quando oentrevistado olha para câmera ele passa sua relação, até então estabelecida com o filme e seu diretor e equipe, para uma relação direta com o espectador. É um convite a ouvir a história e, de certa forma, um convite à reflexão a respeito de quem é aquela pessoa e o que é a historia que ela está prestes a contar.

Baraka é o oposto ao filme de Eduardo Coutinho. Ron Fricke faz uso de somenteimagens e sons / música para contar sua história, durante o filme todo não há uma única fala, o uso da palavra não se faz necessário. As imagens contam uma história a respeito do ser humano, das suas diferentes crenças, culturas, costumes, lugares, fisionomias e apesar de tanta diferença, Baraka mostra o quão similares são todos os seres humanos. A história do filme é construída, na verdade, a partirdo imaginário de cada espectador que está diante do filme. Não há uma única verdade, um único sentido, uma única visão, mas, sim, uma gama imensa de possibilidades narrativas à disposição do espectador.

São muitas as vezes que nos deparamos com personagens que nos encaram, olhando diretamente para a câmera. São mais de 20 momentos nos quais o olhar do personagem se encontra com o olhardo espectador, estabelecendo uma direta relação entre os dois.

É interessante notar a intensidade dos olhares. Todos que olham para a câmera, a encaram com calma e serenidade, porém, com uma força arrebatadora. É impossível não se perguntar quem são aquelas pessoas, quais são suas condições de vida, o que elas estão fazendo ali, o que elas estão pensando e, o mais importante, o que elas...
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