Banalidade do mal

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ADOLF HITLER SORRI NO INFERNO





Este título foi baseado em um trecho da música “Diário de um detento”, contida no álbum “Sobrevivendo no inferno” do grupo rap, Racionais Mc´s. Esta faz um relato sobre o Massacre do Carandiru, em que pelos dados oficiais, 111 presidiários foram assassinados pela tropa de choque depois de fracassadas tentativas de conter otumulto. Além de ser comum escutar notícias sobre rebeliões nas penitenciarias paulistas a partir da segunda metade do século XX, o que mais incomoda é a indiferença ou conivência das pessoas, que estão mais preocupados com o episodio de novela e resultados da rodada do campeonato de futebol ou dando apoio ao comportamento repressivo do Estado através da policia militar, alegando que são marginais ecriminosos que devem ser exterminados para o bem de toda sociedade. Os próprios Direitos Humanos que representam uma das maiores, talvez a maior, conquista da humanidade, passou a ser questionado e condenado com o argumento de estar defendendo somente aqueles que prejudicam as pessoas de bem.

No mundo contemporâneo ocorrem apoio a repressão e extermínio policial eoutras atrocidades que ferem a democracia e os próprios Direitos Humanos em nome de uma falsa segurança. O nazismo e Eichmann foram derrotados e condenados, mas quando ocorrem episódios como estes, faz com que o trocadilho utilizado pelos Racionais Mc´s se encaixe perfeitamente para a humanidade do século XXI “Adolf Hitler sorri no inferno”. Principalmente após a Segunda Guerra Mundial, abanalidade do mal se espalhou pelo mundo, que mesmo se espantando e se indignando com os extermínios de milhares de seres humanos pelos nazistas em meio à indiferença do povo alemão, volta a presenciar na última década do século XX e primeira do século XXI uma banalização do mal através das guerras religiosas, terrorismo, subculturas, miséria entre outras.

Além de serrotineira e apresentar diversos motivos e formas de se aplicar, a banalidade do mal é também um espetáculo transmitido pela televisão como se fosse uma produção cinematográfica com suas explosões, tiroteios e julgamentos em tribunais. Em 1960, o tenente nazista Adolf Eichmann, responsável pelo transporte de incontáveis judeus a campos de concentração foi encontrado na Argentina pelo serviço secretoisraelense, transportado, julgado e condenado à morte em Jerusalém.

Hannah Arendt, que fugiu da Alemanha em 1933 para os Estados Unidos, fez a cobertura deste julgamento para a revista “The New Yorker”. No decorrer do processo, passou a refletir sobre a condição humana, tendo origem a tese sobre a “banalidade do mal”. Para a autora, Eichmann não foi um carrasco comose imaginavam, suas ações foram obrigações burocráticas que levou a sucumbir a dimensão moral e sentimental de suas atitudes, pois ele era somente um funcionário do governo que cumpria ordens.

O mal e a desordem sempre foram tentações para os seres humanos em que a interdição destes instintos violentos não ocorre por uma bondade natural, e sim pelo risco de puniçãoreligiosa e/ ou civil. No entanto, a banalidade do mal esta também no cotidiano com a discriminação, miséria, racismo, desemprego, tráfico, guerras internacionais e civis dentre outras que são transmitidas pela televisão como se fossem programas de entretenimento para as famílias assistirem no sofá da sala. O julgamento de Eichmann foi um marco histórico para este novo método em que conseguiusatisfazer o desejo pelo mal do telespectador em nome do bem; ou seja, para a vitória do bem, foi preciso matar violentamente o representante do mal, conseguindo a paz de forma violenta.

Muitos filmes com historias inteiras sendo desvendadas em tribunais surgiram após o episodio do julgamento de Eichmann em que vale mais o desempenho dos advogados do que o próprio...
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