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Microcrédito no Brasil
Fernando Nogueira da Costa

Texto para Discussão. IE/UNICAMP n. 175, abr. 2010. ISSN 0103-9466

Microcrédito no Brasil
Fernando Nogueira da Costa 1

Resumo O artigo apresenta a evolução do chamado microcrédito no Brasil nos últimos 10 anos. Ele tem significado “revolucionário”. Há singularidade no modelo institucional adotado em nosso país. Os empreendedores pobresdão mais relevância a ter acesso ao financiamento do que ao seu custo. Defende-se a necessidade de política governamental, pois as ONGs - Organizações Não Governamentais não alcançaram nem autosuficiência, nem escala suficiente para fomentar algo além do desenvolvimento local em bairros populares. Debate a diferença de escala entre as atividades dos bancos comerciais brasileiros, em termos deacesso popular a crédito para consumo, e as do microcrédito produtivo orientado, baseado no “modelo clássico” de grupos de aval solidário. Finalmente, mostra os impactos das medidas governamentais recentes. Palavras-chave: Crédito Popular – Instituições de Micro finanças – Política Social. Abstract Microcredit in Brazil The article presents the evolution of the call microcredit in Brazil in last the10 years. It has meant “revolutionary”. It has singularity in the adopted model in our country. The poor entrepreneurs give more relevance to have access to the financing of what to its cost. It defends the necessity of governmental politics, therefore the ONGs - Not Governmental Organizations had not reached nor self-sufficiency, nor scale sufficient to foment something beyond the localdevelopment in popular quarters. It has debated the difference of scale between what Brazilian commercial banks can make in terms of popular access the credit for consumption and the guided productive microcredit, based in the “classic model” of groups of solidary endorsement. Finally, it shows the impacts of the recent governmental measures. Keywords: Popular credit – Microfinance Institutions – SocialPolitics. JEL Classification: G21.

1 Introdução: a revolução do microcrédito A genealogia das condições para o surgimento do capitalismo não se reduziu à expropriação do produtor direto, o camponês ou o artesão. Incluiu a formação do capital-dinheiro. Esta se desenvolveu a partir da concentração de grande massa de recursos – dinheiro, ouro, prata, terras, meios de produção – à disponibilidade depequeno número de proprietários. Aquela ocorreu a partir da formação de grande

(1) Professor-adjunto/livre-docente do Instituto de Economia da Unicamp, Campinas – SP, Brasil. E-mail: fercos@eco.unicamp.br. Blog: http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/.

Texto para Discussão. IE/UNICAMP, Campinas, n. 175, abr. 2010.

Fernando Nogueira da Costa

contingente de indivíduos sem posse debens. Foram assim obrigados a vender sua força de trabalho aos senhores da terra ou aos donos de manufaturas. O capital-dinheiro torna-se capital propriamente dito, estabelecendo relação social, só quando se encontra com o trabalhador livre, disponível para o contrato de assalariamento. Este era o contrato social: desde que qualificados, os trabalhadores encontrariam emprego. Obteriam então rendapara sobreviverem em condições sociais adequadas. A manufatura subordinou o trabalhador porque ele estava despojado de propriedades, a não ser de sua habilidade pessoal. Na era da grande indústria, subordinou-se o trabalhador com o progresso técnico. Impossibilitou-o a retornar ao artesanato. No entanto, na atual revolução tecnológica, mesmo trabalhadores qualificados passam a ter dificuldade emencontrar emprego. Os excluídos da economia capitalista são obrigados a trabalharem por conta própria. Têm de criar micros empreendimentos. Há uma espécie de regressão histórica ao artesanato. A revolução no pensamento econômico, no século passado, ocorreu com Keynes. Revelou que a determinação do nível de emprego não depende de decisões dos trabalhadores. A economia capitalista não consegue...
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