Autonomia intelectual e moral como finalidade da educação contemporânea

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  • Publicado : 14 de outubro de 2012
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Este trabalho representa um esforço reflexivo, no sentido de auxiliar os educadores na busca de parâmetros pedagógicos neste final de século.
Baseados nas premissas centrais da Psicologia Genética (Piaget), propomos uma revisão das práticas pedagógicas, que estão baseadas preferencialmente no Instrucionismo, tomando como referencial oConstrutivismo.
A temática básica que perpassa todo esteestudo fundamenta-se na noção piagetiana de autonomia, tanto no campo cognitivo como no campo afetivo, pois os dois não podem ser dissociados, conforme o pensamento de Piaget.
Concluímos este estudo salientando que a recorrência às premissas da Psicologia Genética sobre o desenvolvimento da autonomia cognitiva e moral, redirecionará a educação rumo aos desafios e premências do século que se aproxima.O tema que nos propomos a estudar - A Autonomia Intelectual e Moral como Finalidade da Educação Contemporânea - exige, de imediato, a apresentação de alguns conceitos piagetianos, para que se possam extrair implicações construtivistas na educação de hoje.
É, nesse sentido, que lançamos mão das contribuições de J. Piaget (1896-1980) para formularmos os conceitos de autonomia intelectual e moral,- que perpassam, de forma diluída, toda sua obra - mas que se concentram nas seguintes publicações: O Juízo Moral na Criança; Lógica e Conhecimento Científico; Epistemologia Genética; Estudos Sociológicos; Seis Estudos de Psicologia; Sabedoria e Ilusões da Filosofia; Biologia e Conhecimento; o Estruturalismo.
O Construtivismo vem se firmando entre nós como uma força cada vez mais pungente nocampo da educação contemporânea. Entretanto, esvazia-se-lhe muitas vezes dos seus componentes epistemológicos, apresentando-o apenas como mais um método pedagógico. Mas Jean Piaget buscou, prioritariamente, respostas para a questão crucial do conhecimento e suas decalages verticais e horizontais:
"Uma segunda aproximação do que seja epistemologia, pode ser entendida como [....].o estudo da passagemde estados de menor conhecimento para estados de um conhecimento mais fundamentados". (Piaget, 1967:7).
Como se passa de um conhecimento de menor qualidade para outro de qualidade superior ? Esta era a pergunta norteadora dos questionamentos epistemológicos piagetianos. Permanecer, entretanto, no campo filosófico-apriorismo ou empirismo -corria-se o risco de não sair da pura especulação. Daí quePiaget se autodenomina "um ex-futuro-filósofo " (Piaget,1978). Deixou de ser algo que ele nunca foi!
Ele busca, pois, na psicologia o campo experimental, onde possa elaborar sua teoria construtivista sobre o conhecimento. Piaget defende, energicamente, que não há conhecimentos (conteúdos) inatos nem estruturas preformadas no sujeito cognoscente - postura anti-apriorista -; mas também, afirmaPiaget, a experiência por si só não fornece ao sujeito conhecimentos da ordem lógico-matemática (postura anti-empirista). Os conhecimentos são construídos através da ação do sujeito cognoscente com o meio e não apenas através do conceito ou dapercepção, como defendiam o apriorismo ou o empirismo, respectivamente.
Restringir-nos-emos neste estudo a pinçar alguns conceitos básicos da obra piagetiana,no sentido de recortar melhor a noção de autonomia, conceito central deste trabalho. Para entender o que Piaget quer dizer quando se refere à noção de autonomia, - embora esse conceito apareça no opus piagetianum, originariamente, num contexto de moralidade (1932)-, pensamos que seja necessário recorrer ao modelo lógico-matemático para encontrar toda sua fecundidade conceptual.
 
AutonomiaIntelectual
A autonomia intelectual caracteriza-se, na obra piagetiana, pela articulação de três conceitos axiais, que são:estrutura, gênese e equilibração.
Estrutura
Uma característica que a inteligência humana possui, segundo Piaget, se refere ao modelo de estrutura que a representa. Mas, ele recorre a um conceito de estrutura que supere os aspectos preformistas e predeterministas das estruturas...
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