Autoconhecimento e liberdade em behaviorismo radical

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  • Publicado : 28 de outubro de 2011
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1 O Behaviorismo radical, proposto por B. F. Skinner, visa a obtenção de explicações filosóficas sobre as causas do comportamento, descrevendo, também, sua relação funcional com o ambiente. Em outras palavras, o ser humano atua no seu mundo e essa atuação produz resultados, quer o indivíduo os conheça, ou não. O comportamento, originado de fatores ambientais, ou seja, selecionado de acordo com assuas conseqüências, não recusa a existência das sensações e idéias, como afirma Skinner, sobre o Behaviorismo radical: “Não nega a possibilidade da auto-observação ou do autoconhecimento ou sua possível utilidade, mas questiona a natureza daquilo que é sentido ou observado” (Skinner, 1988). As explicações feitas exclusivamente à mente são criticadas por Skinner, que remete ao ambiente o fatordeterminante para o comportamento, tal como se observa nesta afirmação:
O ambiente deu sua primeira grande contribuição durante a evolução das espécies, mas ele exerce um diferente tipo de efeito, durante a vida do indivíduo, e a combinação dos dois efeitos é o comportamento que observamos em dado momento. (Skinner, 1988).

Skinner, em sua publicação Comportamento Verbal (1957), discorre aindamais sobre a relação homem-ambiente, bem como suas consequências, como é visto na afirmativa a seguir:
Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez são modificados pelas conseqüências de sua ação. Alguns processos que os seres humanos compartilham com outras espécies alteram o comportamento para que ele obtenha um intercâmbio mais útil e mais seguro em determinado ambiente. Uma vezestabelecido um comportamento apropriado, suas consequências agem através de processos semelhantes, para permanecerem ativas. Se, por acaso, o meio se modifica, formas antigas de comportamento desaparecem, enquanto novas

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conseqüências produzem novas formas . (Skinner, 1957).

Portanto, o Behaviorismo radical explica que o comportamento é tomado como fruto das contingências incidentes nahistória de vida do indivíduo. Desta forma, o comportamento não é originário de estágios mentais, mas sim respostas aos estímulos ambientais. Assim, aborda o comportamento dentro de uma lógica contextual, não havendo distinção entre mundo objetivo e subjetivo. A mente pode ser considerada como existente no Behaviorismo radical, se considerada como comportamento. Tudo aquilo que é sentido não passa pelouniverso imaterial da consciência, é apenas a observação do que acontece nos limites do corpo que se relaciona com seu contexto social. Ou seja, o ato de pensar é um comportamento derivado de um estímulo e este, por sua vez, fruto do ambiente e, por ele, determinado. Para Skinner, o autoconhecimento é um tipo de comportamento gerado por contingências sociais, mantido através do auto-relato a umacomunidade verbal e diz respeito à identificação das variáveis que controlam o próprio comportamento do indivíduo. Afirma, também, que o autoconhecimento está intimamente ligado aos eventos encobertos discriminados por reforço diferencial. Ainda sobre o comportamento de auto-relato, é importante dizer que ele é mantido por consequências mediadas por um ouvinte (Barros, 2003) e que sua descriçãopode variar, já que o ato de descrever pode estar sob o controle de diferentes aspectos do referente. Nos mais diversos contextos sociais, é indispensável que o indivíduo possa relatar o próprio comportamento, ou as contingências envolvidas, de forma com que sejam acessados, tanto para o falante quanto para o ouvinte, os conteúdos, privados ou não, que compõem a relação. São frequentes assolicitações de relato quando, por exemplo, pais pedem para que seus filhos digam como foi o dia na escola, quando um chefe requer explicações sobre os motivos pelos quais seu funcionário encontra-se desmotivado a exercer suas atividades, ou ainda, quando o terapeuta faz indagações acerca das angústias e sofrimentos de seu cliente. Num contexto clinico, é importante que terapeuta e cliente possam

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