Auto da barca do inferno - resumos

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 9 (2140 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 29 de março de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
O dread lá da zona C

“Rabisco, escrevo, risco, rasuro, revisto, insisto, rascunho e revejo isto, ponho seta e asterisco. Pratico o que não domino, refino o estilo, e compito comigo. Eu ganho e nunca por um triz, eu tenho fintas. Arranho mas não escrevo a giz, eu troco tintas. Agarrado à rima como uma granada destravada, atiro lá de cima e vejo a cidade incendiada. É fogo-de-artifício, minhaarte, meu ofício, já te disse que é um vício mas não faço caso disso. Mesmo que o medo tenha o peso de um elefante e a dor seja gigante, eu nunca fui a barca, serei sempre o comandante. Houve o medo de ter medo, houve o desespero que a perda trouxe. Houve a sede de ter emenda, a fenda foi a força e o medo foi-se. Houve a apatia, houve ansiedade, a mudança deu-se, houve serenidade. Houve posse,ciúme, auto-piedade, houve claridade. Mas por vezes, queria uns meses sem pôr os pés no meu mundo. Caio na real, sou complicada mas nem tanto, quero muito mais que um rosto cabisbaixo num canto. Entre a sensatez e o sonho, dar um sorriso sem timidez. Ser mais forte que o ciúme, assumo-me insegura, ou sismo que assim sou. Ser sensata e no sapato, saber chegar aonde vou. Moldar defeitos, não ter receios,mudar as leis. Desafiar-me além de canetas e papéis. Houve o medo em segredo, quedo, não há remédio. E no aperto de qualquer enredo, este caderno, é o meu médico. Aprendiz de Deus, sou única, brilho como o momento que termino. É o início.”

Hip Hop, muitos ouviram falar, poucos o conhecem na realidade. Criticam. Exclamam que não é cultura mas sim vandalismo puro e duro. O hip hop é um movimentocultural, que se iniciou no final da década de 70, nos Estados Unidos. Este servia como forma de reacção aos conflitos sociais e à violência sofrida pelas classes menos favorecidas da sociedade urbana. É uma cultura das ruas, um movimento de reivindicação de espaço e voz das periferias, traduzido nas letras questionadoras e agressivas, no ritmo forte e intenso e nas imagens grafitadas pelos murosdas cidades.
O hip hop como movimento cultural é composto por quatro manifestações artísticas principais: MCing, que anima a festa com suas rimas improvisadas, a instrumentação dos DJ’s, o breakdance e a pintura dos graffiti. Nasceu no Bronx mas rapidamente se espalhou pelo mundo inteiro. Em Portugal, o hip hop chegou na década de 80. Primeiro invadiu os guetos mas depressa generalizou-se. Chegoua Portugal e infiltrou-se nos subúrbios da cidade de Lisboa e do Porto.
O que tem de bom o hip hop tuga? Puxa pela criatividade de cada um, nos mais diferentes níveis, desde a escrita das lyric até ao mais simples beat. Contudo, muitos são aqueles que se auto-intitulam de “dread” e não o são. Desses está Portugal cheio. Os poucos, os verdadeiros “dread” vivem num mundo paralelo ao nosso. Ummundo onde não há discriminação.
Muitos são aqueles que criticam o hip hop que é feito nos dias de hoje, a nível musical. Dizem ter perdido “qualidade e sentido”. O verdadeiro e mais sentido hip hop tuga foi feito na década de 90, com grupos/Mc’s conhecidos de toda a gente, desde Da Weasel, o MC Sam the Kid, Black Company, MC Xeg, Chullage, Ace entre outros grandes nomes não tão conhecidos naaltura mas que faziam do MCing a sua vida entrando em batalhas de Freestyle. “Eu sou a música, e a minha música é de paz/ Se rimar é fácil, rima então se fores capaz/ E nem me fales em movimento/ A última coisa que preciso é do teu consentimento/ A memória é curta, a realidade é crua/ O pai constrói a casa, os filhos põem-no na rua./ Dor de cotovelo, ossos do ofício/ Se ligasse ao que dizem era ver-menum hospício/ E quem pensa que mudei, não me conhece/ O mesmo AC de sempre, só mudou o IRS/ Caguei pá fama, é bem mais nobre o que me move/ O amor pela camisola que visto desde 89/ Não me vendo, nem faço música à medida/ E cada som deste álbum é uma foto da minha vida!/ E não preciso das luzes da ribalta/ Não quero que notem a minha presença mas que sintam a minha falta.”. Grande dicção, bom...
tracking img